Brasília, 12 de dezembro de 2018 - 04h32

Guerra no Cáucaso: fatos e versões

20 de janeiro de 2010
por: InfoRel
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Marcelo Rech



 



A guerra no Cáucaso em agosto de 2008 ainda suscita dúvidas e preocupa a comunidade internacional. Entender o evento é passo fundamental para que novas tensões possam ser evitadas.



 



Não é segredo algum que o governo da Geórgia liderado por Mikhail Saakashvili é apoiado pelos Estados Unidos e não apenas politicamente.



 



O governo norte-americano tem em Saakashvili o perfeito idiota útil. Aquele que em troca sabe-se lá de quê permite que os Estados Unidos atuem livremente numa região que historicamente é área de influência russa.



 



Poderíamos entender essa aliança como uma simples provocação, mas há muito mais nesse contexto.



 



Mikhail Saakashvili descartou os resultados de quaisquer investigações internacionais sobre a responsabilidade da Geórgia na guerra. Na sua avaliação, a Rússia provocou e lançou o conflito.



 



O presidente entende que a pobre Geórgia democrática é vítima da Rússia agressiva e cruel.



 



Não é o que dizem as investigações internacionais.



 



Em dezembro de 2008, a União Européia reuniu um grupo de especialistas e diplomatas que durante dez meses analisaram o conflito.



 



Dois relatórios foram produzidos. No total, 1,4 mil páginas de análises nos âmbitos jurídicos, militares e históricos, concluíram que a Geórgia foi quem desencadeou a guerra.



 



O documento foi divulgado em setembro do ano passado. A comissão européia foi chefiada pela diplomata suíça Heidi Tagliavini.



 



"O bombardeamento da Tskhinvali (sede da divisão administrativa da Ossétia do Sul) pelo exército georgiano na noite de 7 a 8 de agosto de 2008 marcou o início do conflito armado em grande escala na Geórgia", diz o texto.



 



Para Tagliavini, "nenhuma das explicações dadas pelas autoridades georgianas para justificar legalmente o ataque foram consideradas válidas".



 



Os analistas convocados pela União Européia foram particularmente críticos ao presidente Saakashvili, que é obrigado a lidar com uma oposição crescente na Geórgia justamente por conta dos resultados desastrosos e trágicos do conflito.



 



Portanto, tratar a ofensiva como um ato de legítima defesa é no mínimo falso.



 



O presidente Saakashvili confiou demais no envolvimento do Ocidente no conflito e esperava que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) o apoiasse no enfrentamento com a Rússia.



 



A Geórgia também subestimou as capacidades russas de reação.



 



Não podemos ignorar que o isolamento da Rússia interessa aos Estados Unidos e aos seus aliados europeus.



 



Cabe destacar que o relatório da União Européia não tem efeito legal, mas que Estados Unidos, OTAN, União Européia e a própria Geórgia parecem não ter outra alternativa que não aceitar a independência das províncias da Abcásia e da Ossétia do Sul.



 



Isso se a redução da tensão no Cáucaso estiver na pauta da comunidade internacional.



 



Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e contra-insurgência. Correio eletrônico: inforel@inforel.org

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