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Guerra no Cáucaso: fatos e versões

Guerra no Cáucaso: fatos e versões

Marcelo Rech

 

A guerra no Cáucaso em agosto de 2008 ainda suscita dúvidas e preocupa a comunidade internacional. Entender o evento é passo fundamental para que novas tensões possam ser evitadas.

 

Não é segredo algum que o governo da Geórgia liderado por Mikhail Saakashvili é apoiado pelos Estados Unidos e não apenas politicamente.

 

O governo norte-americano tem em Saakashvili o perfeito idiota útil. Aquele que em troca sabe-se lá de quê permite que os Estados Unidos atuem livremente numa região que historicamente é área de influência russa.

 

Poderíamos entender essa aliança como uma simples provocação, mas há muito mais nesse contexto.

 

Mikhail Saakashvili descartou os resultados de quaisquer investigações internacionais sobre a responsabilidade da Geórgia na guerra. Na sua avaliação, a Rússia provocou e lançou o conflito.

 

O presidente entende que a pobre Geórgia democrática é vítima da Rússia agressiva e cruel.

 

Não é o que dizem as investigações internacionais.

 

Em dezembro de 2008, a União Européia reuniu um grupo de especialistas e diplomatas que durante dez meses analisaram o conflito.

 

Dois relatórios foram produzidos. No total, 1,4 mil páginas de análises nos âmbitos jurídicos, militares e históricos, concluíram que a Geórgia foi quem desencadeou a guerra.

 

O documento foi divulgado em setembro do ano passado. A comissão européia foi chefiada pela diplomata suíça Heidi Tagliavini.

 

“O bombardeamento da Tskhinvali (sede da divisão administrativa da Ossétia do Sul) pelo exército georgiano na noite de 7 a 8 de agosto de 2008 marcou o início do conflito armado em grande escala na Geórgia”, diz o texto.

 

Para Tagliavini, “nenhuma das explicações dadas pelas autoridades georgianas para justificar legalmente o ataque foram consideradas válidas”.

 

Os analistas convocados pela União Européia foram particularmente críticos ao presidente Saakashvili, que é obrigado a lidar com uma oposição crescente na Geórgia justamente por conta dos resultados desastrosos e trágicos do conflito.

 

Portanto, tratar a ofensiva como um ato de legítima defesa é no mínimo falso.

 

O presidente Saakashvili confiou demais no envolvimento do Ocidente no conflito e esperava que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) o apoiasse no enfrentamento com a Rússia.

 

A Geórgia também subestimou as capacidades russas de reação.

 

Não podemos ignorar que o isolamento da Rússia interessa aos Estados Unidos e aos seus aliados europeus.

 

Cabe destacar que o relatório da União Européia não tem efeito legal, mas que Estados Unidos, OTAN, União Européia e a própria Geórgia parecem não ter outra alternativa que não aceitar a independência das províncias da Abcásia e da Ossétia do Sul.

 

Isso se a redução da tensão no Cáucaso estiver na pauta da comunidade internacional.

 

Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e contra-insurgência. Correio eletrônico: inforel@inforel.org

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