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Haiti: da tragédia às disputas políticas

Haiti: da tragédia às disputas políticas

Marcelo Rech

Já se passaram nove dias desde que o Haiti foi arrasado por um terremoto.

Estima-se em 200 mil os mortos e pelos menos 3 milhões estão completamente desalojados.

Classificada como uma das piores tragédias experimentadas pela humanidade, a devastação do Haiti não é suficiente para que os políticos se entendam.

Reconstruir o país agora não é mais um desafio por conta dos recursos. As doações vêem de todos os lugares.

A equação mais complicada diz respeito às vaidades dos atores envolvidos.

Os Estados Unidos são essenciais neste processo, mas não aceitam ser comandados, nem mesmo pelas Nações Unidas.

O Brasil conhece o terreno. Tem cinco anos de atuação e resultados positivos no Haiti, mas não dispõe dos recursos.

A França tem dinheiro, mas suas ações passadas no Haiti comprometem a confiança dos haitianos.

Mesmo o Canadá que tem uma tradição importante em missões de paz e ações humanitárias, é alvo de questionamentos.

A ONU por sua vez, é controlada pelos países que pagam as contas.

O Conselho de Segurança, seu organismo mais relevante, tem cinco membros que dão as cartas. O resto é apenas o resto.

Entre as duas pontas, ficam os haitianos. A população pobre. Os indigentes.

Historicamente, a fome e a miséria do Haiti nunca despertaram o interesse da comunidade internacional.

Transformar essa realidade passa pela superação dos interesses políticos pontuais.

Do contrário, cedo ou tarde, todos pagarão um preço alto.

Os que comandaram, os que se acovardaram e aqueles que só querem aparecer às custas da desgraça alheia.

Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e contra-insurgência. Correio eletrônico: inforel@inforel.org

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