Brasília, 13 de dezembro de 2018 - 19h40

Haiti: sinônimo de tragédia

13 de janeiro de 2010
por: InfoRel
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Marcelo Rech



Nesta terça-feira, o Haiti foi devastado pelo pior terremoto em 200 anos.



O país começava a se recuperar de quatro furacões que atingiram o Caribe em 2008.



Em 2004, um furacão matou ao menos 700 pessoas e colocou a cidade de Gonaives no mapa das tragédias naturais.



Esses são apenas três e os mais recentes eventos trágicos envolvendo o país mais pobre da América Latina e um dos mais miseráveis do mundo.



Há pouco mais de cinco anos, o Brasil comanda a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), vista por muitos como uma tropa de ocupação, mas que tem sido responsável pela pacificação do país.



Em que pese o sentimento de consternação que se abate sobre os militares brasileiros, o contingente que deveria deixar o país nos próximos dias tem pela frente a difícil missão de encontrar vidas em meio à destruição e o caos.



Inclusive, encontrar os próprios companheiros desaparecidos.



Estive em Porto Príncipe em outubro do ano passado.



Participei de patrulhas durante o dia e à noite, com soldados do Exército e Fuzileiros Navais. A pé, percorri Citè Soleil conhecida por deter um dos níveis de criminalidade mais elevados do mundo.



O bairro é hoje um exemplo de tranqüilidade, embora a pobreza extrema embrulhe o estômago.



O papel desempenhado pelo Brasil no comando da missão aos poucos caiu no gosto dos haitianos acostumados com invasões e ditaduras.



No lugar de balas e tiros, os brasileiros estenderam a mão amiga sem nunca abandonar o braço forte.



Importante observar que a recuperação econômica do Haiti, fundamental para a sua estabilização, nunca foi obrigação dos militares.



No entanto, enquanto a infantaria garantia a ordem, a engenharia realizava as obras necessárias para que o país em algum momento reunisse condições para receber investimentos, gerar empregos e alinhavar um futuro diferente.



Desde o general Augusto Heleno Ribeiro, primeiro Force Commander, o Brasil resistiu às pressões exercidas por nações que de fato nunca tiveram respeito algum pelo Haiti e por sua gente.



Os Estados Unidos, por exemplo, ostentam seu poder de forma literalmente clara ao manter sua embaixada com todas as luzes acesas num país onde energia elétrica é artigo de luxo.



Sozinhos, os Estados Unidos poderiam pôr fim ao caos haitiano, mas a exemplo do que sempre fizeram, ignoram tradições, costumes e contextos para impor o que julgam ser o correto e o melhor.



Os militares brasileiros souberam driblá-los e a outros, como os europeus e ganharam a confiança do Haiti.



Mais do que nunca, o Haiti precisa da comunidade internacional.



Lamentavelmente, o óbito de milhares pode servir agora para que os recursos a anos prometidos cheguem ao país e às obras estruturais imprescindíveis.



Talvez a contingência trágica permita que se drible a burocracia do dia-a-dia que ainda se impõe diante da fome, do desemprego e do desespero.



É um começar de novo, mais uma vez. Tem sido assim no Haiti.



Marcelo Rech é o editor do InfoRel. Correio eletrônico: inforel@inforel.org

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