Defesa

Especial – Haiti
19/06/2005
Soberania
19/06/2005

Especial – Haiti

Haitiano perde confiança em missão da ONU

Manuel Martínez, Enviado Especial do InfoRel

Porto Príncipe [Haiti] – O funcionário de um hotel em Porto Príncipe, Elie Filschery, diz ter perdido a confiança no sucesso da missão de paz da ONU, que, em sua opinião, “até agora não trouxe grandes benefícios para o Haiti”.

“Os vejo como invasores que interferiram no nosso governo e no nosso país e que atrapalham que resolvamos nossos problemas por nós mesmos”, disse o haitiano de 39 anos, um dos poucos em seu país que tem o privilégio de estar empregado.

Com um discurso bem articulado, Filschery – que é formado em hotelaria e diplomacia, fala inglês, francês, creole [dialeto haitiano], arranha o espanhol e o português e conhece a França e os Estados Unidos – diz gostar dos integrantes da tropa brasileira, porém, falou que o relacionamento com os demais militares dos doze países que integram a Minustah, sobretudo os policiais estrangeiros, “cria problemas”.

“Prefiro ser detido por policiais haitianos, a quem eu ainda posso tentar dar explicações e ser ouvido”, afirmou o haitiano. Apesar de ele admitir que os agentes de seu país são corruptos e cometem abusos, eles são menos violentos que os da Minustah. “Os policiais da ONU não entendem o que gente fala, nos vêem como suspeitos, nos batem e nos levam para a delegacia para averiguações”.

Filschery reconheceu que os problemas da ONU no Haiti se devem a que a organização se concentrou em ações de militares e de segurança sem preocupar-se em agilizar a liberação dos investimentos para desenvolver o país e criar empregos.

“A cada dia que passa cada vez mais e mais haitianos não vêem nenhum futuro e partem para a delinqüência porque não têm mais nada a perder e não querem mais seus filhos com fome”, lamentou.

Manuel Martínez viajou ao Haiti a convite do ministério da Defesa

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