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Hidrovia Paraná – Paraguai na agenda bilateral Brasil – Argentina

Brasília – Brasil e Argentina pretendem impulsionar o uso da Hidrovia Paraná – Paraguai como instrumento de escoamento de grãos e geração de empregos. Na última segunda-feira, 23, representantes de agências reguladoras brasileiras também defenderam uma maior participação do país na exploração do potencial comercial da hidrovia. Em debate no Senado, o Embaixador argentino Carlos Magariños afirmou que esta é uma prioridade para o presidente Mauricio Macri.

O encontro organizado pelo Grupo Parlamentar Brasil – Argentina foi o primeiro de uma série de reuniões onde serão debatidos os principais gargalos para as relações bilaterais. Em dois meses, parlamentares brasileiros e especialistas discutirão os problemas sanitários e fitossanitários que travam o relacionamento entre os dois países.

De acordo com as exposições feita na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, a hidrovia entre Cáceres (MT) e Nueva Palmira (Uruguai) tem potencial para escoar commodities e minérios, percorrendo 3.442 quilômetros por cinco países (Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai, e Uruguai) e percorrendo um território ocupado por aproximadamente 25 milhões de pessoas.

Segundo Adalberto Tokarski, diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), o Brasil tem apenas 5% de participação na hidrovia. “Nós já transportamos alguns milhões de toneladas, mas só minério de ferro, praticamente. Cadê a soja? Cadê o milho? Cadê os outros produtos? , questionou.

“O milho e a soja que o Brasil exporta para os mercados asiáticos; trigo, cevada e mate, que compra da Argentina e do Uruguai, não são transportados na hidrovia. Praticamente nenhum desses produtos que passam no sistema logístico como importantes estão na hidrovia. E esse é o nosso desafio”, afirmou Eduardo Ratton, coordenador de Projetos do Instituto Tecnológico de Transportes e Infraestrutura da Universidade Federal do Paraná (UFPR) quem apresentou estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental nos mais de 1.200 quilômetros do trecho brasileiro da hidrovia, além de uma pesquisa complementar sobre as dificuldades regulatórias.

Ainda segundo ele, a Argentina representa 77% do interesse dessas cargas, com 33 milhões de toneladas, e é o país que mais utiliza a hidrovia.  São 48 portos argentinos contra 11 do Brasil. Além disso, a carga tributária brasileira é a mais onerosa.

Já o Embaixador argentino ressaltou que “para a Argentina a hidrovia é estrategicamente importante, temos que trabalhar com inovações que sejam aceitáveis para os produtores argentinos”. Carlos Magariños revelou também que a Argentina internalizou dez dos 14 protocolos previstos para a utilização da hidrovia no âmbito do MERCOSUL.

Análise da Notícia

Marcelo Rech

Brasil e Argentina parecem realmente dispostos a resolver os seus problemas para poderem liderar o processo de integração sul-americana. É o que os dois governos demonstram por meio de iniciativas como esta. Além disso, os dois países identificaram ao menos 80 travas que inibem o comércio e trabalham para pôr fim aos problemas.

Resolver estes problemas é algo fundamental para que Buenos Aires e Brasília exerçam a devida influência no sentido de devolver o MERCOSUL às suas origens. O bloco foi, principalmente na última década, extremamente politizado e ideologizado, algo que provocou enormes prejuízos à todos os seus membros.

Para avançar em uma agenda positiva que inclua acordos encorpados com blocos como a União Europeia, o MERCOSUL necessita de uma melhor coordenação e direcionamento, algo que Brasil e Argentina têm capacidade para fazer.

Ao discutirem como tirar proveito de um potencial imenso representado pelos rios Paraná – Paraguai, os dois países mostram que estão cientes dessa responsabilidade. É hora de unidade.

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