Opinião

FKA defende liberdade econômica para o Mercosul
27/09/2006
Angra 3
28/09/2006

IBAS e o desafio da integração

IBAS e o desafio da integração

Bruno Peron Loureiro

A Reunião de Cúpula do Fórum IBAS, que envolve Índia, Brasil e África do Sul, foi considerado o último evento da diplomacia terceiro-mundista do governo Lula antes das eleições.

Contudo, a taxa de crescimento desses países foi discrepante no ano passado: no Brasil, ficou em 2,3%, enquanto a atividade na Índia expandiu-se 7,6% e a da África do Sul, 4,6%. Em que medida poderia haver cooperação, ou até integração?

A reunião de 13/09/2006 previu acordos de cooperação em energia nuclear, agricultura, saúde, ciência, tecnologia, informação e desenvolvimento social.

Estas áreas são prioritárias para um país que almeja desenvolver as suas potencialidades. O Brasil aposta, portanto, em cooperações alternativas às que se realizam no âmbito dos países do Mercado Comum do Sul.

Walter Mattli (The logic of regional integration), professor de ciência política e assuntos internacionais na Universidade de Columbia, Nova York, argumenta que a maioria dos projetos de integração nas Américas e na Ásia foi engatilhada por eventos externos que ameaçaram a prosperidade econômica e que os líderes se indispõem a aprofundar a integração se suas economias estiverem relativamente prósperas.

A questão se refere aos motivos que levam alguém a sacrificar a soberania nacional se a economia estiver crescendo com relativa rapidez e o povo estiver, portanto, contente.

Como a Índia e a África do Sul somam quase 1,2 bilhão de consumidores, o Brasil quer elevar de 2% para 4% a participação desses dois países no total das exportações brasileiras nos próximos quatro anos.

Esquemas de integração regional multiplicaram-se nos últimos anos e a importância de grupos regionais no comércio, dinheiro e política está aumentando dramaticamente.

Há interesses econômicos preponderantes por trás da aproximação destes países.

Esta meta foi proposta em 12/09/2006 por Luiz Fernando Furlan, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, durante o Primeiro Encontro Empresarial do IBAS, cujo grupo é conhecido também como G-3.

A tentativa lança perspectivas para o ideal brasileiro de uma integração de mercados com países asiáticos e africanos, além do já reforçado, porém instável, bloco do Mercosul.

Grandes acordos comerciais poderão ser feitos entre esses países nos próximos anos, com vantagens recíprocas. Aliás, é isso que confere sucesso a uma aproximação.

Entre as principais áreas de interesse do Brasil nessa parceria, estão combustíveis alternativos, que incluem o etanol, os automóveis conhecidos como flex, mineração, produtos agrícolas e farmacêuticos.

Um dos maiores objetivos é o de explorar o comércio trilateral e o benefício da complementaridade que existe entre as três economias. Isso significa que os produtos que um país não tiver passam a ser demandados pelo outro, e vice-versa.

O presidente Lula tem interesse em unir e fortalecer os países emergentes para fazer frente aos Estados Unidos e à União Européia. É deste ponto que parte o IBAS.

Bruno Peron Loureiro é estudante de Relações Internacionais na Universidade Estadual Paulista

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