Cúpula das Américas
02/11/2005
Comunicado Conjunto
02/11/2005

Comércio Exterior

IBSA quer trocas comerciais de US$ 10 bilhões até 2007

África do Sul, Brasil e Índia pretendem duplicar o intercâmbio comercial e atingir US$ 10 bilhões nos próximos dois anos. Apesar de reconhecerem que a iniciativa foi criada por razões políticas e não comerciais, o Conselho Empresarial do IBSA, criado em março, trabalha para facilitar e promover o comércio e a cooperação entre as comunidades empresariais dos três países.

Segundo a Fiesp, o governo federal tem intensificado os esforços para diversificar os mercados, mas 70% dos empresários brasileiros enxergam como prioritário o comércio com Estados Unidos e América Latina e 60% não têm o menor interesse em fazer negócios com a Índia e a África do Sul, os dois parceiros do Brasil no IBSA.

Em pesquisa realizada pelo Conselho, os empresários dos três países, apontaram os custos de transportes como o principal entrave para o aumento do comércio trilateral. Brasil e Índia, por exemplo, não contam com uma rota direta que ligue os dois mercados, o que torna o frete caro e demorado. Cada navio leva, no mínimo, 28 dias para desembarcar a mercadoria no destino final.

De acordo com Mário Marconini, consultor de negociações internacionais da Fiesp e que realizou a pesquisa no Brasil a pedido do Ícone [Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais], a maioria dos empresários brasileiros encara o IBSA como algo “geopolítico” e 75% nunca ouviram falar no grupo.

A pesquisa mostra ainda que 30% dos empresários brasileiros têm interesse em exportar para a África do Sul, mas apenas 10% desejam exportar para a Índia. Além dos custos de transporte, eles têm receios qaunto à cultura indiana e consideram que o país está localizado numa “região delicada”.

Por outro lado, problemas de segurança e excesso de burocracia preocupam os brasileiros que querem exportar para a África do Sul e Índia.

A Fiesp informou que os sul-africanos representam apenas 2,12% de todo o comércio internacional do Brasil, enquanto os indianos participam em apenas 0,72% das exportações brasileiras. Para Marconini, os países em desenvolvimento não podem ser o foco principal da política comercial do Brasil, mas o IBSA pode gerar bons negócios.

Segundo ele, “a Índia não é um mercado que se pode negligenciar. ainda vai crescer muito. É preciso olhar para o futuro e aproveitar o potencial que existe nesses países”, disse.

Outro problema é que os indianos são considerados muito protecionistas, e que importam poucos produtos agrícolas: US$ 5 bilhões em 2004, sendo 50% composto por óleos vegetais.

Esse protecionismo também tem impedido o G-20 [bloco composto por países em desenvolvimento e liderado por Brasil e Índia] de apresentar uma proposta mais ambiciosa para o corte de tarifas que vem sendo negociado no âmbito da Rodada de Doha da OMC [Organização Mundial do Comércio].

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