Defesa

Governo terá projeto para a indústria de Defesa
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MD quer fortalecer indústria de Defesa
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Soberania

Indústrias de Defesa cobram apoio para expandir o setor

Na semana passada, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, visitou as principais indústrias de Defesa do país e anunciou que em 2008, o país terá um projeto para fortalecer o setor.

Nelson Jobim quer mudar a legislação para que as Forças Armadas possam privilegiar as compras de equipamentos produzidos no país e deixou claro que as compras feitas no exterior terão de garantir a transferência de tecnologia para o Brasil.

Na avaliação do ministro e dos empresários do setor, a indústria de Defesa no Brasil tem grande potencial de crescimento, pode aumentar a independência tecnológica e gerar riquezas ao país, desde que tenha o apoio oficial necessário.

Jobim reafirmou ainda a decisão do governo de ajudar a consolidar o setor para aumentar a independência brasileira na área de defesa.

Um dos idealizadores da visita do ministro ao parque tecnológico foi o presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Aeronáutica Brasileira, deputado Marcelo Ortiz (PV-SP), que defendeu uma maior integração entre o governo, as indústrias e o Congresso.

Já o presidente da Embraer , Frederico Fleury Curado, explicou que o segmento aeroespacial é o único da alta tecnologia superávitário para o país.

Ele explicou que dos cerca de US$ 4,3 bilhões de faturamento anual da empresa, US$ 3,7 bilhões vêm de exportações. Deste total, apenas 10% são de produtos para Defesa.

Por isso a Embraer trabalha para ampliar sua participação nesse segmento, principalmente com a produção do novo avião a jato para transporte de carga e tropa (C-390) em desenvolvimento. O projeto tem o apoio do governo federal.

Plano Estratégico de Defesa

O ministro ressaltou a necessidade de integração entre o Plano Estratégico Nacional de Defesa e a política de desenvolvimento do país, que passa pelas questões econômicas, incluindo geração de empregos, de divisas e de tecnologia dual, que possa também ser usada em áreas civis.

“Nós temos que lembrar que um plano estratégico de Defesa não pode ser desvinculado de um esquema de estratégia de desenvolvimento nacional, senão não é uma agenda da nação, senão seria uma agenda exclusiva”.

De acordo com Nelson Jobim, as restrições de outros países ao desenvolvimento ou absorção de tecnologia na área de Defesa pelo Brasil não será impedimento aos planos do país.

Na sua avaliação, os obstáculos que surgirem, serão superados, como ocorreu no projeto Aramar, para o desenvolvimento do ciclo de combustível nuclear.

Ele ressaltou que, nesse caso, o Brasil já detém toda a tecnologia e agora busca resolver questões relativas à produção, para obter autonomia no combustível que alimentará propulsores de submarinos e reatores para geração de eletricidade.

O ministro advertiu que a dificuldade e a demora em se obter tecnologias sensíveis não podem ser usadas como argumento para não se fazerem as coisas.

“Nós não estamos tratando com projeto da nossa geração. Nós estamos tratando com projeto da Nação, e o tempo histórico da Nação é totalmente distinto do tempo da nossa geração”, destacou.

Em visita à Mectron, fabricante de mísseis e sistemas eletrônicos, o ministro ouviu relatos sobre as barreiras tecnológicas impostas por outros países ao desenvolvimento dos produtos da área.

A empresa fatura cerca de R$ 40 milhões anuais basicamente com venda às Forças Armadas brasileiras e a instituições oficiais ligadas à área de controle de espaço aéreo e aeroespacial.

De acordo com o presidente da empresa, Azhaury Carneiro da Cunha Filho, um aporte feito pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), novo sócio da empresa, deverá auxiliar na expansão da Mectron.

A Avibrás, empresa de engenharia que fabrica de foguetes a veículos especiais para mineração e transporte urbano, tem como principal suporte o mercado internacional, como explicou o seu presidente, João Verdi Carvalho Leite.

Segundo ele, “o mercado externo foi a garantia de operação”. Atualmente, a empresa tem faturamento de US$ 150 milhões, mas com potencial para triplicar as vendas, segundo explicaram os diretores da empresa.

O carro-chefe da Avibrás é o sistema de foguetes Astros II, que está na quarta geração de tecnologia nos sistemas eletrônicos e tem perspectiva de vida de trinta anos. A principal vantagem do sistema é a eficiência operacional e a economia de recursos.

O principal mercado da Avibrás é o Oriente Médio, mas a empresa também presta serviços à indústria brasileira, principalmente com pinturas especiais anti-oxidantes para automóveis.

João Verdi Carvalho Leite, prevê grandes oportunidades de expansão no mercado internacional, desde que haja decisão política.

Ele explicou ainda que para fugir das restrições à transferência de tecnologia, e manter a liberdade de venda de seus produtos, a Avibrás evita o uso de componentes de empresas norte-americanas.

Emendas às Forças Armadas

No último dia 13, a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados, definiu as três emendas ao Orçamento da União de 2008. Deputados integrantes da comissão, em acordo com os senadores, decidiram atender o Ministério das Relações Exteriores e os comandos da Marinha e Exército.

A Aeronáutica e o Ministério da Defesa serão contemplados com as emendas da CREDN do Senado Federal.

A manutenção dos meios operativos da Marinha é o objeto da emenda destinada à Força naval. Está sendo proposto um aporte de R$ 240 milhões para ações de reparo e manutenção de navios, aeronaves, viaturas anfíbias e outros meios existentes.

O Exército foi beneficiado com uma emenda elevando sua dotação orçamentária em R$ 220.410.440,00 para logística de material e equipamento militar. Com a complementação, será possível atender mellhor as organizações militares.

Para o orçamento do Itamaraty, os parlamentares propõem um acréscimo de R$ 3 milhões para contribuição à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O texto destaca ainda que é crescente a valorização da comunidade — que congrega oito países — no contexto da ampliação das atividades diplomáticas do Brasil.

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