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Integração

Ingresso da Venezuela ao Mercosul é debate morno na Câmara

Nesta terça-feira, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, Secretário-Geral do Itamaraty e o professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, Carlos Pio, debateram sobre o ingresso da Venezuela ao Mercosul, em audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

O debate foi realizado graças às pressões da oposição que acusa o presidente Hugo Chávez de ditador e quer a Venezuela fora do bloco, mas o parecer do deputado Paulo Maluf (PP-SP), é favorável à adesão da Venezuela. O protocolo também já foi aprovado na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional.

A votação do parecer de Maluf será realizada nesta quarta-feira pela manhã. Se for aprovado, vai à Plenário antes de seguir para o Senado, onde Hugo Chávez enfrenta fortes resistências desde que acusou os senadores de “papagaios dos Estados Unidos”.

Samuel Pinheiro Guimarães defendeu a entrada da Venezuela no bloco e destacou que o Brasil trabalha pela integração de todos os países latino-americanos. Na platéia, anotando tudo, o novo embaixador do Brasil em Caracas, Antonio Simões.

“Portanto, não cabe ao Brasil criar obstáculos na relação com nenhum país, muito menos com um vizinho.” Pinheiro Guimarães explicou ainda que do ponto de vista constitucional, a Câmara não tem como rejeitar o protocolo.

Já o professor Carlos Pio, do Instituto de Relações Internacionais da UnB, não acredita nos efeitos positivos da entrada da Venezuela ao Mercosul. Segundo ele, “é evidente que o atual governo venezuelano não respeita princípios básicos das diretrizes que regem as relações internacionais no mundo de hoje”.

De acordo com o professor, o governo da Venezuela se destaca pelas medidas anti-democráticas, como a violação da liberdade de imprensa.

Carlos Pio também considera as políticas econômicas da Venezuela incompatíveis com as normas previstas pelo Mercosul.

Para o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA), um dos mais ácidos oposicionistas de Lula e Chávez e que pediu a realização da audiência, afirmou que “concordar com o projeto [que ratifica a adesão da Venezuela ao bloco econômico] significa aceitar que o governo de Hugo Chávez é legítimo e democrático, mesmo ele querendo se perpetuar no poder com práticas ditatoriais inaceitáveis”, enfatizou.

Também o PPS já definiu que a bancada na CCJ vai votar contra o ingresso da Venezuela ao Mercosul. O PSDB deve seguir essa orientação tanto na comissão como em Plenário.

Para o deputado e ex-governador de Pernambuco, Roberto Magalhães (DEM-PE), o presidente Hugo Chávez tem ambições geopolíticas regionais e não pensa duas vezes quando o assunto é intervenção na política e na economia de outros países, principalmente Bolívia e Equador.

Na avaliação de Moreira Mendes (PPS-RO), aceitar a Venezuela no Mercosul “é trazer uma maçã podre para dentro do cesto da integração regional”.

Já o deputado Régis de Oliveira (PSC-SP), acredita que os deputados devem pensar nos resultados de longo prazo e não no imediatismo. Segundo ele, “não podemos comprometer um projeto futuro de integração regional por causa da situação política da Venezuela desfavorável no presente”, destacou.

O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) afirmou que o debate “não deve ser ideologizado, visto que a entrada de um país no Mercosul não impede que a condução de sua política e de sua economia seja realizada de forma diferente [da dos demais países]”, ressaltou.

Enqaunto isso, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que o ingresso da Venezuela ao Mercosul é bom para a integração regional, para o Brasil, econômica e politicamente, e para a Venezuela. Ele espera que o protocolo seja votado na Câmara e no Senado ainda este ano.

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