Opinião

Super Tucano
05/08/2005
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05/08/2005

Política Externa

Inserção internacional: Mercosul e o mundo

Christiane Sauerbronn

Mais uma derrota diplomática no currículo brasileiro. Por que será que o Brasil têm cometido erros deste nível sucessivamente? Ao mesmo tempo em que insiste em se apresentar como líder regional, o país coleciona deslizes diplomáticos graves.

Primeiro a indicação tardia do candidato brasileiro à Secretaria Geral da Organização Mundial do Comércio [OMC], Luiz Felipe de Seixas Corrêa, depois que o Uruguai já indicara Carlos Pérez del Castillo. Parceiros no Mercado Comum do Sul [Mercosul], esta medida causou um certo mal estar entre os países da região e revelou a existência de divergências internas básicas.

Não bastasse a derrota anterior, a mais recente ocorreu na candidatura de João Sayad, então vice-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento [BID] à presidência do banco.

O Brasil contou com o apoio de somente 11 votos, contra 26 votos a favor do candidato colombiano Luiz Alberto Moreno, embaixador da Colômbia em Washington. Este último candidato contou com apoio não apenas dos Estados Unidos [EUA] como de dois países do Mercosul, o Paraguai e o Uruguai. Como explicar tamanha falta de sintonia e de apoio político entre os países que constituem um bloco econômico?

Os repetidos tropeços diplomáticos na Política Externa Brasileira, no que diz respeito à liderança brasileira no cenário regional revela, no mínimo, um certo despreparo na condução dessa inserção hegemônica regional. Internacionalmente, o país se destaca por seu tamanho, potencial e desempenho.

A exemplo disso, o Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, John Snow, em recente visita ao Brasil ressaltou as similaridades entre os dois países no que se refere a suas dimensões continentais, diversidade cultural e defesa dos valores democráticos.

Snow destacou tais características quando defendia que os dois países aprofundassem suas relações comerciais e elogiou a forma como vem sendo conduzida a política econômica do Brasil, enfatizando a necessidade de se manter o compromisso com boas políticas.

Na ocasião, Snow defendeu, ainda, que os resultados das políticas macroeconômicas aplicadas pelo governo no Brasil são muito boas para o país, ressaltando o controle da inflação, o aumento das exportações e a condução das turbulências que o país têm sofrido.

Lembrou, também de destacar que os Estados Unidos são, não apenas, o destino de maior parte das exportações do Brasil, como também o maior investidor do país. Snow elogiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por “seu comprometimento com o crescimento econômico, a redução da pobreza e a melhoria do padrão de vida da sociedade brasileira” como um todo. E reforçou que as reformas são essenciais.

“Gostaria de exortar o Brasil a continuar trabalhando nas reformas, que combinadas com as políticas econômicas empresariais liberam energias do setor privado”, disse o Secretário do Tesouro dos EUA para uma platéia de líderes empresariais, durante um evento promovido pelo Consulado dos Estados Unidos no Rio de Janeiro, em parceira com o Centro Brasileiro de Relações Internacionais [CEBRI].

O Brasil é um país com tradição de resolução de impasses e divergências entre seus parceiros por meio da diplomacia e do direito internacional, nesse sentido, através da resolução pacífica de controvérsias poderia tirar proveito para tomar atitudes certas.

Entre tantos acertos internacionais, os erros frente às decisões de política externa no âmbito regional não devem voltar a acontecer, para que o país seja de fato hegemônico com aceitação e reconhecimento de seus parceiros locais como tal.

Afinal aspira-se uma hegemonia no sentido que Antonio Gramsci apresenta em que a fração dirigente detém o poder e a capacidade de articular os interesses das demais, sem imposição de sua ideologia, mas através de um processo de transformação política e pedagógica.

De que adianta se destacar para o mundo e alimentar mal-estares com países tão próximos? Hegemonia não se impõe, se conquista e o Brasil precisa acertar os passos e as atitudes para conquistá-la.

Christiane Sauerbronn é jornalista e pós-graduanda em Relações Internacionais. Escreve para a sessão “Especiais” do portal MundoRI.com. Email: sauerbronn@mundori.com

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