Opinião

Colômbia
27/06/2005
Diplomacia
27/06/2005

América do Sul

Integração cresce e chanceler quer o fortalecimento do Mercosul

Marcelo Rech

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, concluiu visita de dois dias à Colômbia. Entre outras coisas, teve de desfazer o mal estar provocado pelo cancelamento da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que preferiu deixar a política externa para depois da crise política que atinge o âmago do seu governo.

Com Lula fora de combate e sem as sombras de José Dirceu e Marco Aurélio Garcia, também dedicado ao PT, Celso Amorim chamou para si a responsabilidade de seguir trabalhando pela integração sul-americana.

Ele transitou à vontade entre empresários e políticos colombianos, inclusive com o presidente Álvaro Uribe, a quem prometeu uma visita de Lula até agosto. Assinou acordos e pediu aos empresários dos dois países que gastem na região. Que apostem nos países sul-americanos.

E, prometeu mais: se a Colômbia quiser, o Brasil participa de um esforço pela paz no país. Pode até ceder o seu território para isso, a exemplo do que fora feito na gestão passada quando mediou a paz entre Peru e Equador.

Mas, a mensagem mais importante foi sem dúvida para os empresários. O ministro pediu que invistam na América do Sul, algo que por si só, representaria o fortalecimento do Mercosul, um projeto para muitos, falido. Para o Brasil, algo em que deve seguir apostando.

Outra importante mensagem do chanceler brasileiro está na preocupação com o equilíbrio desse comércio. Há muito que os vizinhos reclamam das assimetrias e dos ganhos exagerados do Brasil na região.

O governo sabe que o equilíbrio do comércio é fundamental até para que haja maior estabilidade política na América do Sul. Não se pode esquecer que, desde 1997, oito presidentes de seis países latino-americanos foram forçados a deixar o cargo prematuramente devido a protestos populares ou escândalos de corrupção.

Além disso, um equilíbrio que diminua as diferenças pode significar mais força para o conjunto dos países da região na briga com os grandes blocos. Ele destacou que o Brasil já investe em siderurgia, aviação civil, petróleo, calçados e vestuário, na Colômbia. A Embraer é a única na licitação para a compra de aviões de ataque para a Força Aérea Colombiana.

Reforçou que o mesmo já ocorre na Argentina e no Paraguai, e que a América do Sul representa praticamente 20% do comércio exterior brasileiro.

Isso sem falar nas empresas brasileiras que vão construir a rodovia interoceânica, ligando o Acre a dois portos peruanos. Mil quilômetros da rodovia serão construídos por duas empresas do Brasil. Quando estiver pronta, a rodovia vai permitir o escoamento de grãos através do Oceano Pacífico e trará inúmeros benefícios para a Zona Franca de Manaus.

Outros projetos nas áreas de transportes, telecomunicações e energia já estão sendo negociados com Bolívia, Peru, Equador e Venezuela. Na visão do Itamaraty, a consolidação da Comunidade Sul-Americana de Nações passa por essa prioridade.

Além disso, os países da Associação Latino-Americana de Integração [Aladi], já integram o segundo maior mercado comprador do Brasil. Ao que parece, apesar da crise política interna, o potencial de líder regional, vocação natural do Brasil, ainda não sentiu os abalos do efeito “Jefferson”. Tomara que seja assim e que os ganhos possam manter toda a região em harmonia e trabalhando pelo crescimento com desenvolvimento.

Marcelo Rech é Editor do InfoRel

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