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Irã: dois pesos e duas medidas

Irã: dois pesos e duas medidas

Marcelo Rech

Não apenas os Estados Unidos e seus aliados apostaram no fracasso brasileiro-turco por um acordo com o Irã.

Também a maioria dos meios de comunicação brasileiros cravaram as críticas sem pestanejar.

Aderir ao discurso fácil é uma das muitas tradições do jornalismo nacional.

A grande maioria preferiu seguir à risca o noticiário produzido nos Estados Unidos e na Europa.

Muitas análises (?) foram descaradamente direcionadas com o propósito de mostrar que o Brasil não havia cometido um erro, mas uma estupidez.

Gente que sequer sabe em que continente fica o Irã, de repente é chamada a discutir a geopolítica do Oriente Médio.

Não contribuem com um debate sério.

E um debate sério sobre aquela região implica cobrar de Israel respeito às resoluções da ONU e ao Direito Internacional, inclusive humanitário.

Un debate sério sabe separar a retórica de um matusquela do fato concreto e objetivo.

Não é de hoje que o ministério das Relações Exteriores se coloca acima do bem e do mal.

Igualmente, não é novidade que se trata de uma obsessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ser reconhecido como líder mundial incontestável, ainda que muitas vezes isso tenha resultado em ações ridículas.

São fatos.

Ainda assim, a decisão brasileira de trabalhar por um acordo é positiva.

Não importa se tenha sido fruto de simples vaidade.

Ter vez e voz no cenário internacional implica assumir compromissos.

Uma das mensagens que vai ao resto do mundo é: antigos problemas exigem novos atores.

Os tradicionais negociadores fracassaram. Seja por incompetência, seja porque o Irã de fato dá de ombros aos apelos.

A política externa  norte-americana de Barack Obama pouco ou nada mudou s e comparada à administração Bush.

Uma falsa parceria foi oferecida ao mundo, incluindo a América Latina.

Na prática, prevalecem os interesses norte-americanos e de seus aliados.

Com base nessa premissa atua os Estados Unidos.

E não cabe discutir a personalidade de Mahmoud Ahmadinejad.

Ao Irã, novos atores, mais confiáveis, ofereceram uma oportunidade para revelar suas intenções.

Aqueles que defendem o isolamento de nações como Irã, Coréia do Norte e Sudão, punem, na verdade, as populações que nada têm a ver com seus dirigentes.

Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e contra-insurgência. Correio eletrônico: inforel@inforel.org

 

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