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Diplomacia

Irã é parceiro estratégico para o Brasil

O Brasil privilegia suas relações com o Irã e condena as políticas de isolamento aplicadas contra o país.

Foi o que afirmou nesta quinta-feira, o Subsecretário-Geral Político II, do ministério das Relações Exteriores, embaixador Roberto Jaguaribe, em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, do Senado Federal.

Jaguaribe revelou que os presidentes Lula e Ahmadinejad não se falaram depois das eleições de junho. O brasileiro foi um dos poucos que defendeu e apoiou a reeleição do iraniano.

Também não foram retomadas as negociações sobre a visita que o presidente do Irã fará ao Brasil. Ele deveria ter visitado o Brasil em abril, mas cancelou a viagem para se concentrar nas eleições presidenciais.

O diplomata brasileiro reconheceu que o processo eleitoral iraniano é delicado e complexo, “mas não encontramos nenhuma evidência de irregularidades. Existem imperfeições, mas nenhum elemento que nos faça contestar o resultado”, afirmou.

O comércio bilateral atingiu em 2007, US$ 2 bilhões. Deste total, o Brasil vende US$ 1,8 bilhão. “Praticamente, não compramos nada”, revelou.

O Irã cresce a taxas de 5,5% de forma sustentável nos últimos 20 anos. Segundo ele, “a inflação é preocupante assim como os impactos das sanções aplicadas pela ONU, pelos Estados Unidos e pela União Européia”.

De acordo com Roberto Jaguaribe, “o país tem influência político-estratégica e para o Brasil, qualquer solução permanente na região passa pelo Irã que é um ator fundamental”.

“O Irã é um parceiro necessário e importante. Nossa postura fortalece a relação. O Brasil reconhece posições divergentes, mas não concorda com isolamentos que só servem para radicalizar posições”, enfatizou.

Para a diplomacia brasileira, nenhum país tem a receita sobre o que os demais devem fazer.

Eleições

Roberto Jaguaribe afirmou que o Brasil acompanha os desdobramentos das eleições no país e chamou a atenção para o processo eleitoral.

“No Irã foi realizada uma eleição de verdade, não um faz-de-conta para cumprir com as formalidades de uma democracia”, explicou.

Diante da dificuldade em conseguir informações, o Brasil consultou os países vizinhos sobre as eleições no Irã e concluiu que a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad era esperada.

Sobre os protestos realizados no país, Jaguaribe reconheceu que “uma parte importante da sociedade iraniana está descontente e outra igualmente importante dos governantes, está consciente disso. Em 20 anos, tivemos um processo recíproco de “demonização” do regime e de seus adversários”.

Jaguaribe também destacou que o Brasil não compra armas do Irã e que o programa nuclear brasileiro seria mais desenvolvido que o iraniano.

“O Irã não tem bomba atômica, mas um programa bem avançado. Hoje, não tem condições de desenvolver a bomba”, assegurou.

O embaixador negou que o Brasil tenha firmado acordos secretos com o Irã. Segundo ele, os dois países buscam mecanismos financeiros que permitam melhorar as relações comerciais.

“Os bancos brasileiros não têm contato com os bancos iranianos. Quando vamos exportar para eles, precisamos de um banco europeu que avaliza uma carta de crédito que tem o banco iraniano. Os bancos europeus têm contato com os
bancos iranianos e essa triangulação nos custa mais”, garantiu.

Na sua avaliação, “o Irã ganha relevância por estar em contradição com o sistema estabelecido. Outros países com problemas mais sérios são poupados por estarem de acordo com esse sistema. O Brasil saiu da periferia para atuar como protagonista e oferece credibilidade justamente por sua política externa independente”, concluiu.

Bahá’i

O Secretário Nacional de Ações com a Sociedade e o Governo, da Comunidade Bahá’i, do Brasil, Iradj Roberto Eghrari, também participou da audiência e denunciou as violações aos direitos humanos no Irã, principalmente em relação às minorias.

Segundo ele, 139 adolescentes aguardam execução nos corredores da morte em prisões iranianas pelo simples fato de serem Bahá’is.

Eghrari afirmou que o Irã é o segundo país que mais executa depois da China.

As minorias também são vítimas de tortura e apedrejamentos, explicou.

No dia 11 de julho, sete lideranças da Comunidade Bahá’i serão julgadas no Irã.

Para Iradj Eghrari, “o Brasil tem condições de influenciar nessa questão através de uma diplomacia discreta”.

Ele lembrou que a ONU já condenou o Irã por violações dos direitos humanos quando o Brasil absteve-se de votar contra o país.

Em todo o mundo, a Comunidade Bahá’i tem cerca de 6,5 milhões de seguidores. São 65 mil no Brasil e 350 mil no Irã.

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