Brasília, 12 de dezembro de 2018 - 04h33

Oriente Médio

02 de julho de 2013
por: InfoRel
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Brasília - O governo iraniano pretende aprofundar as relações políticas e comerciais com o Brasil e não haverá mudanças nos princípios da política externa do país com a eleição de Hassan Rouhani, 64. De acordo com o embaixador do Irã no Brasil, Mohammed Ali Ghazenadeh, "não haverá alterações sobre a abordagem do Irã em relação aos principais temas da agenda internacional. Os princípios, objetivos e valores da política externa iraniana serão preservados", explicou.



Ghazenadeh revelou que o novo presidente pretende aprofundar as relações com a América Latina e em especial, com o Brasil. Na sua avaliação, a mensagem da presidente Dilma Rousseff após as eleições confirma que o Brasil também tem esse desejo.



"É claro que haverá muitas interferências dos Estados Unidos para diminuir a presença iraniana na América Latina, mas os países da região conseguiram impor sua vontade em contraponto ao governo norte-americano", explicou.



O novo embaixador do Brasil em Teerã, Santiago Mourão, assumiu o poso há cerca de um mês e, segundo Mohammed Ali Ghazenadeh, já identificou os problemas que impedem um maior aprofundamento das relações comerciais. Os dois países pretendem equilibrar este relacionamento na economia, mas avançar também para outras áreas.



Autoridades dos dois países entendem que há muito potencial a ser explorado e um deles diz respeito à Ciência, Tecnologia e Inovação. O Irã pretende discutir com o Brasil, um acordo de cooperação espacial - o país é o único do Oriente Médio e do mundo islâmico que domina toda a cadeia desde a fabricação de satélites até o seu lançamento.



Na economia, o Irã quer ser a ponte entre o Brasil e os mercados da Ásia Central e do Cáucaso. A ideia é aumentar o comércio para cerca de US$ 10 bilhões anuais nos próximos três anos.



Além disso, há também possibilidades nas áreas de petróleo e gás. O interesse neste caso é por uma cooperação para exploração em águas profundas.



Em 2010, um memorando de entendimento foi firmado entre os dois governos e paulatinamente vem sendo implementado com a troca de técnicos e engenheiros. Enquanto o Irã está entre os primeiros produtores mundiais de petróleo, o Brasil é o 10º.



O turismo é outro setor que anima os iranianos. Como a seleção do país já está classificada para a Copa do Mundo de 2014, estima-se que milhares de iranianos aproveitaram para conhecer o Brasil.



Há também interesse em atrair turistas brasileiros ao país. A cada ano, o Irã recebe cerca de dois milhões de turistas de todo o mundo.



Análise da Notícia



As eleições no Irã tiveram a participação de quase 80% dos eleitores aptos a votar - lá, o voto não é obrigatório - e serviram para eleger o moderado Hassan Rouhani, clérigo que também é um dos homens de confiança do líder supremo Ali Khamenei.



Em seu discurso após o anúncio do resultado, Rouhani acenou com a bandeira branca da paz para o Ocidente. Não descarta dialogar com os Estados Unidos, mas há temas que já não pertencem ao eleito, tornaram-se bandeira nacional no Irã e o principal deles é o programa nuclear.



Rouhani foi um dos negociadores do país e nos últimos 20 anos, ocupou alguns dos principais cargos dentro da estrutura do governo, e é pouco provável que aceite paralisar o programa como condição para obter o alívio internacional quanto às sanções econômicas.



O que pouca gente aceita entender é que apesar de quase 30 anos sob sanções, o Irã tornou-se um dos países mais desenvolvidos, principalmente em áreas sensíveis. O país não vai abrir mão disso.



Como também não abrirá mão de confrontar com o "inimigo sionista". Esta guerra fria entre Irã e Israel precisa ser bem compreendida e trabalhada, pois um conflito na região entre esses dois atores será catastrófica para o mundo inteiro.



No entanto, a comunidade internacional erra ao ignorar a importância do Irã como player regional, como uma potência que influencia e que tem peso no equilíbrio ou desequilíbrio geopolítico do Oriente Médio.

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