Brasília, 20 de outubro de 2019 - 01h57
Itaipu apoia operação de segurança e inteligência na fronteira com o Paraguai Brasília

Itaipu apoia operação de segurança e inteligência na fronteira com o Paraguai Brasília

25 de setembro de 2019 - 16:27:47
por: Marcelo Rech
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Itaipu apoia operação de segurança na fronteira com o Paraguai

Brasília - Uma operação de segurança integrando as Forças Armadas do Brasil e do Paraguai, e um encontro dos ministros de Justiça e Segurança dos países do MERCOSUL, ambos sediados em Foz do Iguaçu, reafirmram o compromisso governamental de aumentar a vigilância em toda a faixa de fronteira. As ações, apoiadas pela Itaipu, são distintas, mas interligadas pelo mesmo foco: o combate ao crime organizado.

A Operação Paraná, que está prevista para acontecer entre 27 de setembro e 3 de outubro, reunirá uma série de iniciativas conjuntas, com a participação de 300 integrantes das Forças Armadas brasileira e paraguaia. A ação será desenvolvida nos municípios lindeiros ao reservatório de Itaipu, com diferentes exercícios militares. O último dia é reservado para uma manobra conjunta na usina.

Já o encontro de ministros, agendado para 4 a 7 de novembro, nas dependências do Parque Tecnológico Itaipu, reunirá ministros da Justiça e Segurança Pública do Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname. Um dos focos será o combate aos crimes transnacionais, normalmente praticados por organizações criminosas especializadas. 

Operação Paraná

A inclusão de um exercício militar na usina de Itaipu no âmbito da Operação Paraná corrobora a importância da obra para o Brasil e o Paraguai. “Por se tratar de uma área binacional, extremamente sensível e de soberania dos dois países, não se pode pensar em um exercício unilateral”, explica o chefe da Assessoria de Informações da usina, Francisco Ronald Fernandes. “A operação combinada deixa como legado conhecimento para novos exercícios binacionais”, afirmou.

Crime organizado

O diretor-geral brasileiro de Itaipu, general Joaquim Silva e Luna, que foi ministro da Defesa entre fevereiro e dezembro de 2018, afirma que, mais do que nunca, Brasil, Paraguai e países limítrofes precisam unir forças para ensejar o combate a um mal que hoje já não tem fronteiras: o crime organizado. "As organizações criminosas movimentam um volume de dinheiro tão elevado que, para combatê-las, é preciso um amplo esforço de inteligência e de ações vigorosas, envolvendo as forças de segurança não apenas na fronteira, mas no destino final do tráfico", destacou.

Silva e Luna acredita que a linha de ação pensada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, para a fronteira com o Paraguai, que integrará as várias forças de segurança, é o caminho certo. O Paraguai, explicou, "tem o maior interesse nesta cooperação binacional, porque hoje está sofrendo cotidianamente com a ação de criminosos, nas ruas e nas prisões, dominadas por facções como o PCC e o Comando Vermelho, de origem brasileira".

A agenda do encontro ministerial ainda está sendo finalizada, mas será o ministro Sérgio Moro quem dará as boas-vindas a seus pares. Em seguida, está prevista uma visita às instalações do futuro Centro Integrado de Inteligência. Inspirado em modelo dos Estados Unidos, o escritório vai se chamar "Fusion Center" e funcionará em uma área de 600 metros quadrados no Parque Tecnológico Itaipu.

O projeto abriga 16 instituições, como Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Ministério da Defesa, Unidade de Inteligência Financeira (UIF – antigo Coaf) e Receita Federal, entre outras.

O escritório vai integrar o trabalho operacional dos órgãos de controle e investigação. Além de apoio operacional para as ações das polícias na fronteira, o Fusion Center também vai auxiliar em investigações do Brasil inteiro, por meio do levantamento de informações, processamento e difusão, e em Foz do Iguaçu, funcionará em conjunto com o Centro Integrado de Inteligência inaugurado recentemente em Curitiba. O Fusion Center também vai auxiliar na criação de protocolos de troca de informações entre instituições.