Brasília, 17 de agosto de 2019 - 15h25
Itaipu e Governo do Paraná dão início ao processo de construção da segunda ponte com o Paraguai

Itaipu e Governo do Paraná dão início ao processo de construção da segunda ponte com o Paraguai

02 de agosto de 2019 - 12:15:45
por: Marcelo Rech
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Brasília – Em meio à crise política que ainda ameaça de impeachment o presidente e o vice-presidente do Paraguai, a direção-geral brasileira de Itaipu e o governo do Paraná deram início nesta quinta-feira, 1º, ao processo de construção da segunda ponte ligando o Brasil ao Paraguai.

Até a próxima terça-feira, 6, as imediações do Marco das Três Fronteiras, em Foz do Iguaçu (PR), onde será construída a Ponte da Integração Brasil -Paraguai, serão tomadas pelos maquinários e operários que darão início às obras. A ordem de serviço foi assinada também neste dia 1º pelo governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Júnior, e pelo diretor-geral brasileiro da Itaipu, general Joaquim Silva e Luna. O contrato prevê um prazo de 36 meses para a execução.

Toda a mobilização para a construção da ponte já vinha sendo feita nos últimos meses. A pedra fundamental foi lançada em Foz do Iguaçu pelos presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro, e do Paraguai, Mario Abdo Benítez, em 9 de maio. Na prática, a assinatura dá início ao cronograma de execução da nova ligação rodoviária sobre o Rio Paraná, entre os municípios de Foz do Iguaçu, no Brasil, e Presidente Franco, no Paraguai.

O investimento total, de R$ 463 milhões, é da Itaipu, sendo R$ 323 milhões para a ponte e R$ 140 milhões para a perimetral de acesso entre a BR-277 e a Avenida das Cataratas. O gerenciamento das obras estará a cargo do governo estadual. A previsão é de contratação direta de 400 operários.

“Esta ordem de serviço dá início à obra da Ponte da Integração. Agora é mobilização de material e efetivamente começar a construção. A ideia é que tenhamos a ponte concluída ainda neste mandato dos governos federal e estadual”, afirmou o general Silva e Luna, destacando a vocação da Itaipu para contribuir com obras de infraestrutura, gerando resultados duradouros para a região de fronteira.

Para o governador Ratinho Júnior, a assinatura sela a parceria e reafirma o bom relacionamento entre o governo e a binacional. “O orçamento já está organizado, consolidando a parceria com Itaipu na área de infraestrutura. Será a maior ponte de vão-livre do Brasil”, afirmou.

Ele também enfatizou os impactos positivos para a economia paranaense e brasileira, potencializando o comércio entre as duas nações e melhorando as condições para o turismo e para a fiscalização das alfândegas dos dois países. “Esse investimento vem ao encontro do projeto de logística que planejamos para o Estado”, disse.

O governador lembrou ainda que a segurança será aprimorada com a ponte e a criação de um escritório de inteligência integrado, que será instalado nos principais pontos de trânsito das fronteiras. A iniciativa, idealizada pelo Ministério da Justiça, reunirá agentes das Forças Armadas, Polícia Federal, Receita Federal, Polícia Rodoviária Federal e representantes das polícias Civil e Militar.

Características

Com 760 metros de comprimento e vão-livre de 470 metros, a nova ponte será do tipo estaiada, com duas torres de 120m de altura. A pista será simples, com 3,7m de largura, acostamento de 3m e calçada de 1,7m. O investimento previsto também contempla algumas desapropriações que serão necessárias para a construção da perimetral.

A nova ponte deve absorver o tráfego pesado na fronteira entre Brasil e Paraguai, deixando para a Ponte da Amizade, construída há 53 anos, o trânsito de carros de passeio, vans e ônibus que transportam turistas.

A assinatura da ordem de serviço acontece 20 dias após a apresentação de outra ponte entre os dois países, que também será custeada pela Itaipu (no caso, pelo lado paraguaio da empresa, enquanto a de Foz a Presidente Franco será pela margem brasileira).

A Ponte Internacional Bioceânica ligará Carmelo Peralta, no departamento de Alto Paraguai, a Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul, e possibilitará uma conexão entre o Porto de Santos (SP), no Atlântico, e os portos do Chile (Pacífico), facilitando o escoamento da produção agrícola do Mato Grosso do Sul e do Mato Grosso, principalmente para os países do Oriente.

A exemplo da segunda ponte, esta ligação permitirá intensificar ainda mais o intercâmbio de mercadorias entre Brasil, Paraguai, Argentina, Bolívia e Chile.