Brasília, 11 de agosto de 2020 - 01h17
Itaipu prepara usina para cenários pós-2023

Itaipu prepara usina para cenários pós-2023

21 de janeiro de 2020 - 17:40:25
por: Marcelo Rech
Compartilhar notícia:

Brasília – O diretor-geral brasileiro de Itaipu, Joaquim Silva e Luna, há 11 meses no cargo, afirmou que o principal desafio da binacional, a partir deste anos, é colocar em marcha o planejamento estratégico que vai preparar a usina para os diferentes cenários dentro de um mercado de energia elétrica complexo, dinâmico e competitivo, pós-2023, quando o Anexo C do Tratado de Itaipu será revisado por Brasil e Paraguai e a dívida da usina estará totalmente quitada.

De acordo com a empresa, praticamente todos os cenários estudados apontam para a necessidade de diminuição de despesas de exploração. Com a revisão do Anexo C, que trata das bases financeiras e da prestação dos serviços de eletricidade do Tratado de Itaipu, a usina terá em caixa US$ 1 bilhão.

Hoje, Itaipu opera baseada nos custos de exploração e da dívida, mas poderá ir ao mercado e funcionar como uma empresa comum, com direito a lucros e prejuízos (hoje, o orçamento não prevê sobra de receita).

“Já sabemos que Itaipu precisa estar preparada para 'novos tempos'. Precisa 'acompanhar os movimentos' do setor energético e ter uma estrutura flexível para responder às mudanças que virão", afirmou Silva e Luna. Segundo ele, “as mudanças exigem que todos entendam o motivo; (precisam de) gente determinada, controle orçamentário e perseverança”. “É 2023 olhando para Itaipu de 2020 com pressa”, exemplificou.

O mapa estratégico, baseado na missão de gerar energia elétrica de qualidade, com responsabilidade social e ambiental, impulsionando o desenvolvimento econômico, turístico e tecnológico sustentável, no Brasil e no Paraguai, tem como fios condutores:

 - produção de energia com os melhores índices de qualidade e otimização de aplicação dos recursos;

- aperfeiçoamento da eficiência dos processos de produção de energia, que garantam a segurança hídrica;

- fomentar o desenvolvimento sustentável na área de influência, melhorando as práticas de gestão e governança empresarial;

- manter o capital humano com alto nível de motivação, desempenho e comprometimento. Dispor de informações e sistemas essenciais para a execução da estratégia da empresa.

Neste sentido, Itaipu fará o acompanhamento da reestruturação do seu Parque Tecnológico (PTI) e trabalhará para conseguir autonomia financeira das fundações que dependem de Itaipu, como a própria Fundação PTI, a Fundação Itaipu Brasil de Previdência e Assistência Social e a Fundação Itaiguapy, que administra o Hospital Ministro Costa Cavalcanti.

Outra grande preocupação é em relação às negociações para a revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu, que trata das bases financeiras da prestação de serviços de eletricidade. Um grupo de trabalho analisa as várias hipóteses para essa renegociação, que precisa ser concluída até 2023, conforme prevê o tratado entre o Brasil e o Paraguai.

Austeridade

Ex-ministro da Defesa, Joaquim Silva e Luna assumiu Itaipu, em fevereiro de 2019 e imprimiu na gestão da empresa uma das principais diretrizes do governo federal: fazer mais com menos. A reestruturação teve início com a mudança da concessão de patrocínios, com ênfase em ações e projetos especialmente voltados para a segurança hídrica e energética e o desenvolvimento regional.

 Com o encerramento de convênios e patrocínios sem aderência à missão da empresa, somado à economia de custos de exploração e à redução do orçamento para 2020, Itaipu conseguiu um total de R$ 600 milhões de economia, dinheiro que está sendo aplicado em várias obras na região.

 Os destaques são a construção da Ponte da Integração, sobre o Rio Paraná, que unirá Foz do Iguaçu a Presidente Franco, no Paraguai; a ampliação da pista de embarque e desembarque do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu, para tornar o Destino Iguaçu mais competitivo com outros roteiros turísticos; a conclusão do mercado municipal de Foz; e a reforma e ampliação do Hospital Ministro Costa Cavalcanti, um dos mais importantes do Sul do país.

 Além disso, Silva e Luna conseguiu encerrar as atividades do escritório de Curitiba, que consumia desnecessariamente muitos recursos em aluguel, reformas, passagens e estadia de funcionários que faziam a "ponte aérea" Foz-Curitiba. Os cerca de 100 empregados do escritório foram transferidos para Foz, sede da usina na margem brasileira de Itaipu, o que permitiu um melhor aproveitamento da mão de obra e melhor utilização dos recursos disponíveis.

2020

 Para 2020, Itaipu planeja a criação de um circuito turístico ligando o futuro mercado municipal à usina; a transformação do Gramadão da Vila A em um parque de lazer; e mais investimentos no desenvolvimento social, econômico, turístico e cultural da região Oeste do Paraná.

Segundo Silva e Luna, a principal proposta desta gestão é recuperar e preservar o ideal de grandeza que um dia uniu Brasil e Paraguai para desenvolver um empreendimento binacional gigantesco, que enche de orgulho brasileiros e paraguaios.

“Queremos que todos os empregados preservem o sentimento de pertencimento à Itaipu que tão bem nos identifica; queremos que ninguém tenha dúvida sobre a necessidade das mudanças e que todos se sintam motivados e participem com ideias e muito trabalho para alcançarmos os objetivos da empresa”, concluiu.