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Derrota

17 de abril de 2005 - 21:54:00
por: InfoRel
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Itamaraty critica exclusão de embaixador brasileiro da eleição na OMC
O ministro Celso Amorim vinha afirmando a algum tempo que as eleições para o cargo de diretor-geral da Organização Mundial do Comércio precisavam ser mais transparentes e criticou as prévias que acabaram por excluir o nome do embaixador brasileiro Luiz Felipe de Seixas Côrrea.

O Brasil não conseguiu sequer construir um consenso no âmbito do Mercosul. Amorim sempre foi um crà­tico ácido do candidato uruguaio Perez Del Castillo.

Na visita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou por ocasião da posse do presidente uruguaio Tabaré Vazquez, o assunto foi tratado, mas os uruguaios não admitiram retirar o nome de Castillo.

Quando esteve no Brasil, há 15 dias, Vazquez voltou a ser pressionado, mas resistiu e quem acabou caindo foi Seixas Côrrea. Para a Argentina, a candidatura brasileira era tardia. Muitos diplomatas brasileiros acabaram concordando.

Segundo o Itamaraty, a candidatura de Côrrea tinha o propósito de contribuir com a construção de um consenso no âmbito da OMC.
Com a fracassada candidatura de Seixas Côrrea, tudo indica que o candidato europeu com apoio dos Estados Unidos, Pascal Lamy, deverá ser confirmado no cargo.

Com isso, fracassaria também as articulações para que a organização tivesse um diretor-geral representante dos paà­ses em desenvolvimento.
Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores afirma que o Brasil obteve apoios importantes em todas as regiões.

“Somos profundamente gratos aos paà­ses que partilharam a nossa visão e nos honraram com o seu apoio. O Brasil se sentiu fortalecido pela confiança que mereceu”, diz a nota.

Por outro lado, a exclusão de Seixas Côrrea e o seu pà­fio desempenho junto aos paà­ses sul-americanos, mostra que os esforços do Brasil por uma integração fà­sica de cunho fortemente polà­tico, também pode estar ameaçada.

O Brasil diverge dos métodos utilizados para a exclusão de seu embaixador, mas assegura que não irá contestá-los.
O Brasil pretende manter o trabalho para fortalecer o multilateralismo no plano comercial e assegurar que a Rodada de Doha seja concluà­da com a prioridade a ser dada ao desenvolvimento.

“Em particular, continuaremos a priorizar a plena integração do comércio agrà­cola nas normas multilaterais, especialmente o fim dos subsà­dios e outras formas de restrições protecionistas. Para tanto, seguiremos atuando em coordenação com o G-20 e outros grupos de paà­ses com interesses semelhantes”, finaliza a nota do Itamaraty.

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