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19/06/2015
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19/06/2015

Diplomacia

Itamaraty determinou que embaixador não acompanhasse senadores

Brasília – O deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE), revelou nesta sexta-feira, 19, que o embaixador do Brasil na Venezuela, Rui Pereira, não acompanhou a comitiva de senadores brasileiras em Caracas, por determinação do Itamaraty. De acordo com o parlamentar, foi o próprio ministro Mauro Vieira quem confirmou a informação.

De acordo com os senadores, os diplomatas brasileiros que estiveram no aeroporto com o embaixador, também desapareceram sem dar explicações à comitiva.

Jungmann revelou ainda que deu entrada em um requerimento de convocação do chanceler para que ele explique em Comissão Geral da Câmara, o papel do Brasil no episódio. Além dele, o embaixador em Caracas será chamado para se explicar na Câmara dos Deputados.

O Senado também já anunciou que os dois serão convocados para se explicarem sobre o mesmo episódio na Casa.

Segundo Jungmann, “não se trata de uma omissão, se trata de uma determinação do governo brasileiro e da presidente Dilma de não assegurar a cobertura e o apoio diplomático aos senadores da República. Por isso, nós responsabilizamos o governo e a presidente pelo risco sofrido, pelo incidente ocorrido, pela armadilha que os senadores foram vítimas na Venezuela”.

Já o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), afirmou que “fomos metidos numa arapuca com cumplicidade do governo brasileiro”. O senador reforçou que em momento algum o grupo contou com qualquer apoio ou acompanhamento de representantes da embaixada do Brasil.

Além disso, os pilotos da Força Aérea Brasileira (FAB), revelaram que foram orientados a permanecerem na aeronave porque os senadores retornariam logo ao aeroporto. Também nesta sexta-feira, integrantes das forças de segurança da Venezuela confirmaram que o bloqueio à comitiva brasileira foi proposital.

Repercussão

Na manhã desta sexta-feira, o grupo que esteve em Caracas voltou a reunir-se em Brasília onde já estudam as medidas que serão adotadas para excluir a Venezuela do Mercosul. O grupo adotará medidas nos campos político, legislativo e judiciário em represália aos incidentes ocorridos naquele país.

Já na próxima semana, será formalizada uma Ação por Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), por omissão de controle no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a presidente Dilma Rousseff. A justificativa é que a presidente descumpre a lei brasileira ao não fiscalizar a aplicação da Cláusula Democrática do Mercosul.

Além disso, a oposição poderá obstruir as votações na Câmara e no Senado por conta do ocorrido e deverá apoiar a Proposta de Emenda Constitucional de autoria do deputado Raul Jungmann dando ao Congresso Nacional o poder de rever acordos internacionais firmados pelo Brasil sempre que cláusulas democráticas forem desrespeitadas.

Em relação à missão do Senado integrada apenas por senadores de esquerda (Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que irá à Venezuela na semana que vem, o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), foi claro: “Essa comissão não existe. São porta-vozes do Marco Aurélio Garcia sem qualquer representatividade na sociedade brasileira”.

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