Defesa

Inteligência militar liberta 15 reféns das Farc
03/07/2008
Comunicado Conjunto Brasil – Venezuela
09/07/2008

Ingrid Betancourt

Jaque: Uma operação sem antecendentes no mundo

O Comandante das Forças Militares da Colômbia, general Freddy Padilla de León explicou nesta quarta-feira que a operação militar que culminou com a libertação de Ingrid Betancourt e outros 14 reféns das Farc foi baseada em inteligência e infiltração nas estruturas da guerrilha.

Segundo ele, “no helicóptero a tripulação era do Exército, eram quatro homens, dois pilotos e dois tripulantes, mais nove homens com uma força especial de inteligência que devia cuidar dos seqüestrados que abordaram a aeronave e deveriam reduzir ao máximo os riscos, sem danos, as duas pessoas das Farc que subiriam a bordo. Reduzimos esses riscos sem um único disparo”.

Caso essa operação não surtisse o êxito esperado, os militares pretendiam realizar um cerco humanitário com 39 helicópteros para pressionar os guerrilheiros a que soltassem os reféns.

Padilla explicou ainda que os militares repeitaram a vida de mais de 60 guerrilheiros como um gesto de boa vontade com as Farc para que a organização ponha em liberdade os demais reféns.

O ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos enfatizou que “foi uma obsessão, um compromisso de que essas pessoas regressassem sãs e salvas. Tivemos várias oportunidades para tentar o resgate e não o fizemos para não colocar a vida dessas pessoas em risco. Realizamos uma operação sem antecedentes na Colômbia, sem atencedentes no mundo, onde infiltramos o Secretariado das Farc na sua parte mais beligerante”

Para o Comandante do Exército, general Mario Montoya Uribe, “infiltramos o Secretariado das Farc, e numa operação limpa e transparente logramos resgatar os seqüestrados graças à inteligência militar”.

Ingrid Betancourt agradeceu à todos os que em algum momento lhe dedicaram uma simples oração e lembrou daqueles que já não poderão ser resgatados porque morreram nas mãos das Farc. Para ela, “foi uma operação impecável, perfeita”.

“Esta manhã quando me levantei, rezei o terço às 4h da manhã e me encomendei à Deus. Tínhamos a expectativa de que logo alguns de nós seriam libertados por uma comissão internacional. Eles (guerrilehiros) nos fizeram recolhermos nossas coisas e estivemos esperando todo o dia. Uma hora antes de que chegaram os helicópteros, o comandante falou comigo e me disse que nos iriam levar onde um chefe, Alfonso Cano, Mono Jojoy ou alguém muito importante falaria conosco e que dali nos transfeririam para outro lugar para termos uma situação melhor de cativeiro”, explicou.

Ela narrou detalhes da operação quando dos helicópteros saíram pessoas surreais vestidas com camisetas de Che Guevara e que conversavam com o comandante responsável pelos reféns. Ingrid percebeu então que não se tratava de nenhuma comissão internacional.

“Quando embarcamos muito frustrados eu não queria falar com as pessoas que estavam ali, estávamos muito indignados, muito humilhados. Subimos e nos fizeram colocar umas jaquetas brancas por que iríamos para um clima muito frio, mas eu não coloquei. Fecharam as portas e subimos. Logo eu vi o comandante que durante quatro anos foi tão cruel, tão humilhante, déspota, no chão, de olhos vendados. Não acreditem que senti felicidade. Senti muita lástima, mas dei graças a Deus de estar com pessoas que respeitam a vida dos demais, mesmo quando inimigos. O chefe da operação disse: “Somos o Exército Nacional, estão em liberdade”. O helicóptero quase caiu”, explicou.

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