Defesa

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Por uma Política de Defesa para os países da CPLP
19/11/2007

Disuassão

Jobim descarta bomba atômica, mas não abre mão de submarino nuclear

O ministro da Defesa, Nelson Jobim afirmou na tarde da última quinta-feira, que o Brasil não vai abrir mão de concluir seu Programa Nuclear com o domínio completo do ciclo do combustível nuclear, mas descartou que o país tenha interesse em construir a bomba atômica.

De acordo com o ministro, a tecnologia visa mover o submarino nuclear, prioridade número um da Marinha, e gerar energia elétrica. Para Jobim, a bomba atômica é uma bobagem.

“Não para a área de bomba atômica, isso é bobagem, mas para exatamente a possibilidade de termos propulsores, quer para o submarino, quer inclusive para a energia elétrica”, destacou após participar da abertura da IV Conferência do Forte de Copacabana, promovida no Rio de Janeiro pela Fundação Konrad Adenauer.

O ministro enfatizou que a opção da sociedade brasileira pelo uso exclusivamente pacífico da energia nuclear foi assegurada ainda na Constituição de 1988, onde consta que “toda atividade nuclear em território nacional somente será admitida para fins pacíficos e mediante aprovação do Congresso Nacional” (Art. 22, parágrafo XXVI, inciso a).

Atualmente, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) é o órgão responsável pela política nacional de Energia Nuclear e o supervisor dos institutos de pesquisa.

Nelson Jobim disse ainda que eventos recentes, como a descoberta de campos gigantes de petróleo no mar (área denominada Amazônia Azul), tornam ainda mais urgente a política de autonomia tecnológica e de construção do submarino de propulsão nuclear, que pode ficar meses submerso, dificultando a detecção por tropas inimigas.

Para o ministro, os navios de superfície são fundamentais para o transporte de tropas e para outras missões, mas têm efeitos limitados no papel de dissuadir uma força inimiga mais forte que queira se estabelecer nas águas territoriais brasileiras, onde concentram-se as fontes de petróleo e os principais fluxos de comércio exterior do país.

O ministro da Defesa advertiu ainda para a necessidade de se proteger as instalações petrolíferas contra possíveis ameaças ou hipotéticos ataques terroristas.

Ele lembrou que na Operação Albacora, realizada pelas três forças em setembro último, quase dez mil soldados simularam a proteção da bacia de Campos contra ataques inimigos, inclusive com o uso de forças especiais anti-terroristas.

Na abertura do evento, Nelson Jobim reforçou o que havia dito no VII Encontro Nacional de Estudos Estratégicos, realizado em Brasília, na primeira semana de novembro, em relação a compra de equipamentos de Defesa previstas no Plano Estratégico Nacional de Defesa, que terão que seguir a regra da transferência de tecnologia.

Segundo ele, “não é possível você comprar equipamento das Forças que dependam de tecnologias não transferidas, porque você não tem mobilização possível”. Para o ministro, a dependência aumenta o risco de boicote por parte de fornecedores em caso de uma mobilização militar contra uma agressão.

Nelson Jobim observou também que o Brasil, para ser parceiro na construção da paz mundial, necessita de meios militares eficientes, que dêem credibilidade à estratégia dissuasória brasileira, que tem por objetivo desestimular agressões de terceiros.

Para tanto, enfatizou que o país não tem pretensões expansionistas, e que os conflitos de fronteira foram sepultados pelo Barão de Rio Branco, há mais de um século.

Segundo Jobim, o ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, que coordena o comitê de elaboração do Plano Estratégico, já visitou Índia, Rússia, e está agora em Paris, discutindo o tema.

Ele adiantou que em janeiro, os dois deverão ir aos Estados Unidos. Entre as questões em debate, está a aquisição de helicópteros de transporte para a Aeronáutica. Uma das possibilidades é que os aparelhos sejam fabricados no Brasil pela Helibrás, empresa que tem participação de capital francês.

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