Relações Exteriores

Venezuela
25/06/2005
Diplomacia
25/06/2005

Política Externa

José Dirceu retorna à Câmara e exalta avanços do goveno

O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, reassumiu o cargo de deputado federal depois de 30 meses, com a mesma empáfia com que conduziu a Casa Civil.

Afirmou que o governo ‘não rouba e não deixa roubar’ e que está à disposição para prestar todos os esclarecimentos sobre as denúncias de corrupção.

Dirceu deixou claro que não é réu e sequer é citado nos processos que se arrastam desde o escândalo Waldomiro Diniz. O mais curioso, no entanto, foi sua declaração ao anunciar a própria demissão. Disse que iria governar de dentro do Congresso.

Embora não tenha reconhecido problemas ou erros do governo, falou que o país precisa de uma ‘profunda’ reforma político-eleitoral. Segundo ele, “o Brasil anseia por um outro formato de debate e de transparência nas campanhas eleitorais”.

Em tom de campanha eleitoral, enumerou as façanhas do governo: “Quero recordar que o Brasil [antes do governo Lula] se encontrava em situação de dependência externa. O déficit era de 188 bilhões em conta corrente, na década passada.

O governo atual conseguiu um superávit de 58 bilhões em apenas 2 anos. O Risco Brasil era de 1.800, hoje é de 400. A inflação estava ascendente e chegava a 23,5%, hoje está em 6%. O desemprego era crescente.

Criavam-se 10 mil empregos por mês, nos anos anteriores à posse do presidente Lula, hoje criam-se 100 mil, totalizando 3 milhões e 600 mil empregos até o final deste ano. Isso tudo significa que o Brasil voltou a crescer, a criar empregos, a ser menos dependente.

A dívida interna do Brasil, um dos problemas mais graves, foi desdolarizada, prefixada em 25% e alongada. Isso permite que o País, apesar do superávit e da política de combate à inflação, tenha um consistente programa social”.

Durante os 30 meses em que permaneceu como o mais influente e forte ministro de Lula, Dirceu não concordava com esses números e foi um dos críticos ácidos da política econômica, expondo o governo aos rachas internos do PT.

Ainda segundo Dirceu, “os servidores públicos sabem que os planos de cargos e carreira estavam abandonados, que eles tinham uma defasagem salarial histórica e que este governo passou a tratar o servidor público com diálogo, numa mesa de negociação, e tratar as greves como direito do trabalhador”.

O que ele não explicou é que o reajuste salarial para os servidores proposto pelo governo em 2005 e 2006, é de 0,1% e quase todas as categorias do serviço público estão em greve ou ameaçam parar nos próximos dias. Isso sem contar os militares que vivem das promessas feitas ainda no ano passado.

Política Externa

Embora não reconheçam publicamente, setores da diplomacia brasileira comemoraram a queda de Dirceu. Ele era mais um que começava a espalhar seus tentáculos na política externa, considerada exitosa por grande parte dos analistas.

Mas, em seu discurso, fez questão de lembrar os esforços do governo por integrar o Mercosul e toda a América do Sul. “Já existem na região, inúmeros investimentos em infra-estrutura de estradas, pontes e ferrovias feitos por países diversos. Nós vamos, ainda, integrar o sistema elétrico da América do Sul por meio de um programa energético de petróleo, pois a Argentina, o Chile e o Uruguai sofrem com a falta de energia elétrica e, no continente, ela sobra.

Já existe um protocolo firmado entre a PETROBRAS, a PDVSA e a empresa argentina. Essas são atitudes necessárias para que o Brasil se destaque no mundo.

A política externa do presidente Lula levou o Brasil a se firmar como liderança não só na América do Sul, mas em todo o mundo. A nossa diplomacia nos permitiu ter voz nas Nações Unidas e ter voz e vitórias na OMC”, afirmou.

Ele reconheceu que o atual governo deu continuidade a uma política externa que vinha da gestão passada e que focava a luta contra o protecionismo, contra a política dos Estados Unidos, muitas vezes unilateral, e a defesa do Tratado de Kyoto e do Tribunal Penal Internacional. Disse ainda que o país trabalha pela paz no mundo atuando em vários países como o Haiti, por exemplo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *