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Lei de Anistia: Revendo o passado

Lei de Anistia: Revendo o passado

Marcelo Rech

Mais uma vez, o governo envia sinais contraditórios à sociedade.

O lançamento do Programa Nacional de Direitos Humanos que propõe revisar a Lei de Anistia e instituir uma Comissão da Verdade foi o estopim para que velhas rivalidades viessem à tona.

É resultado de muitas reuniões, grupos de trabalho, conferências, essas coisas que o PT sempre adorou fazer, pois não decidem nada, consomem muito dinheiro e rendem fartas viagens turísticas.

Há décadas a esquerda se concedeu o monopólio da defesa dos direitos humanos, assim como empunhava a da ética na política.

No entanto, a revisão proposta é antes de tudo um gesto covarde.

Se o país decidir rever o seu passado, que todos sejam investigados.

Se é fato que muitos militares abusaram de seus poderes, também é certo que centenas de militantes de esquerda cometeram crimes que não estariam prescritos sem a Lei da Anistia.

Da mesma forma, teríamos de rever todas as indenizações concedidas àqueles que foram vítimas do período.

No conjunto de pessoas que merecem o reconhecimento e a reparação pelo Estado pelas violações que sofreram, há muitos hipócritas que colaboraram com o regime e que ainda assim, se beneficiam como se vítimas fossem.

Criou-se uma indústria de indenizações que a pretexto de restituir dignidade, faz política com o dinheiro do contribuinte.

Por outro lado, é preciso entender que não apenas as Forças Armadas amadureceram, mas o país como um todo.

A Lei de Anistia foi resultado de uma negociação que trouxe o Brasil de volta à democracia.

Talvez, fosse o caso de discutirmos a democracia brasileira que lamentavelmente, beneficia a corrupção política.

Quantos corruptos flagrados tomando o nosso dinheiro foram punidos exemplarmente?

O que a esquerda diz do mensalão do PT que desvendou a verdadeira vocação de um partido que se dizia diferente?

Apesar de ninguém ter sido verdadeiramente responsabilizado por uma vergonhosa armação que sustentou e enriqueceu muitos políticos de direita e de esquerda, as Forças Armadas não interferiram.

Objetivamente, o país deveria discutir o seu presente e o seu futuro. Que Brasil queremos e quem serão os que nos conduzirão.

Em 2010, teremos mais uma eleição com os mesmos políticos de sempre, os profissionais que fizeram dos mandatos que lhes concedemos um meio de vida, não de prestação de serviço.

Deveríamos discutir o voto obrigatório, essa aberração que os políticos insistem em manter.

Melhor se pudéssemos opinar sobre os custos de nossas câmaras de vereadores, assembléias legislativas, do Congresso Nacional. É muito caro manter os privilégios dessa gente.

Como Lula, o mesmo que dizia ter 300 picaretas no Congresso, agora passa a mão na cabeça de seus aloprados, seguramente vamos reeleger as sanguessugas que descaradamente nos roubam e ao nosso futuro.

Mas, isso a esquerda não quer discutir.

Marcelo Rech, 39, é editor do InfoRel. Correio eletrônico: inforel@inforel.org.

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