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Lula banca polêmicas em troca de assento no CSNU

Lula banca polêmicas em troca de assento no CSNU

Na próxima quinta-feira, 13, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, inicia um giro que inclui visitas oficiais a cinco países em uma semana.

Ele estará na Rússia, Catar, Irã, Portugal e Espanha, onde tratará de negócios, do programa nuclear iraniano, das negociações entre Mercosul e União Europeia e reforçará a campanha brasileira pela reforma do Conselho de Segurança da ONU.

Lula ainda terá de voltar ao tema Honduras depois que a Espanha decidira convidar o presidente Porfírio Lobo para a Cúpula América Latina e Caribe – UE.

O presidente ameaçou não comparecer ao evento organizado pelos espanhóis e contou com a adesão dos colegas da Bolívia, Equador e Venezuela.

Para contornar a situação, a Espanha conseguiu convencer Lobo a comparecer apenas para o encontro entre centro-americanos e europeus.

Antes, o presidente tem reuniões com o russo Dmitri Medvedev e o iraniano Mahmoud Ahmadinejad.

Nos dias 13 e 14, Lula estará em Moscou onde deve discutir o apoio russo à pretensão brasileira de integrar o Conselho de Segurança das Nações Unidas em troca de acordos comerciais que incluem a compra de material bélico.

No dia 15, ele desembarca em Teerã para o controvertido encontro com Ahmadinejad. O presidente vai defender mais uma vez o direito do país de desenvolver seu Programa Nuclear.

Os iranianos afirmam que o presidente participa, no dia 17, da reunião do G15 – o grupo dos países não alinhados, o que não é confirmado pelo Itamaraty.

Em Lisboa, o presidente participa da 10ª Cimeira Brasil e Portugal, que integra uma série de reuniões anuais, para discussão das ações comuns entre os dois países.

Em Madri, Lula faz parte de várias discussões que vão reunir 33 chefes latino-americanos e caribenhos, além de 27 europeus.

Análise da Notícia

Marcelo Rech

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sempre foi muito arredio às polêmicas e vários dos problemas enfrentados internamente ele conseguiu resolver com tapinhas nas costas.

No plano internacional isso é bem mais complicado.

Neste que será um dos últimos giros pelo exterior, Lula vai bancar o apoio do Brasil ao programa nuclear iraniano acreditando que é exatamente a complexidade e polêmica em torno do assunto que credenciam o Brasil para ocupar de forma permanente, um assento no Conselho de Segurança da ONU.

Nas últimas semanas, a diplomacia brasileira buscou certificar-se que Mahmoud Ahmadinejad realmente não tem más intenções.

Caso o diálogo seja viabilizado entre o Irã e a comunidade internacional, Lula se fortalece como líder mundial, imagem que ainda está fortemente desgastada por conta do apoio incondicional ao regime cubano.

Lula vai tratar disso também com os russos que são vistos como parceiros potenciais em vários setores sensíveis, incluindo o militar. O assentimento russo à proposta do Brasil de dialogar com o Irã é fundamental.

O presidente sabe que tem apenas até junho antes que novas sanções ao Irã sejam discutidas e aprovadas.

Na Espanha, Lula vai dar um recado bem claro aos europeus: não é hora de Honduras voltar ao sistema interamericano do qual foi expulsa no ano passado.

A mensagem vai diretamente ao primeiro-ministro espanhol que tentou uma jogada para sentar Porfírio Lobo e todos os demais Chefes de Estado e de Governo das duas regiões na mesma mesa.

Por pouco não consegue transformar a Cúpula num fiasco.

Por último, o Haiti estará na pauta de latino-americanos e europeus. O país quer mais dinheiro para a reconstrução.

Com tropas em Porto Príncipe desde 2004, o Brasil considera a transformação socioeconômica haitiana um dos principais eixos da sua estratégia de política externa global.

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