Brasília, 18 de novembro de 2018 - 13h33

Lula cobra apoio internacional ao Haiti

19 de janeiro de 2010
por: InfoRel
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou nesta segunda-feira com o colega norte-americano Barack Obama e cobrou mais apoio internacional à reconstrução do Haiti.



Lula lembrou que o Brasil quer trabalhar em coordenação com os Estados Unidos e que os países mais desenvolvidos devem aumentar os valores doados.



No entanto, como o aeroporto de Porto Príncipe é controlado por militares norte-americanos, os aviões do país com equipes e doações têm prioridade de pouso. Os demais são desviados para a República Dominicana.



Vários vôos da Força Aérea Brasileira foram impedidos de aterrizar na capital haitiana. Alguns retornaram.



Apesar das autoridades brasileiras minimizarem os problemas, a nota firmada pela Secretária de Estado Hilary Clinton e o presidente do Haiti, René Prèval, dando aos Estados Unidos liberdade total de ação no país, significa que nem mesmo a ONU tem como controlá-los.



O Brasil teme perder o comando da missão e também por isso, deve aumentar o seu contingente militar.



Além disso, após anunciar a doação de US$ 15 milhões ao Haiti, Lula decidiu autorizar a liberação de R$ 35 milhões através de uma medida provisória.



A ONU havia solicitado pelo menos US$ 500 milhões, mas dos US$ 300 milhões que já teriam sido doados, apenas US$ 51 milhões foram depositados nas contas da organização.



Análise da Notícia



Marcelo Rech



Todos os avanços conquistados nos últimos cinco anos no Haiti ruíram com o terremoto do dia 12.



E a cada dia, a confiança nos organismos internacionais que já era pequena, diminui.



A incapacidade dos agentes políticos em agir com rapidez e eficiência chama a atenção.



No entanto, as cobranças mais enfáticas são feitas à Minustah que é comandada pelo Brasil desde a sua criação em 2004.



Por ignorância ou má fé, muita gente cobra dos militares o desenvolvimento econômico e social do Haiti, algo que não lhes diz respeito.



Os capacetes azuis estão no Haiti para prover segurança e permitir que as agências civis da ONU e as milhares de ONGs possam atuar junto à população.



Antes do terremoto, o país já havia sido pacificado.



Estive em Porto Príncipe em outubro e participei de várias patrulhas durante o dia e à noite nas áreas consideradas mais perigosas da capital.



Vi uma pobreza extrema.



No QG da ONU, uma burocracia estúpida.



Países como o Haiti são necessários para sustentar essa burocracia e manter empregos.



Daí que a urgência dos haitianos não é a mesma dos organismos internacionais. Nem das ONGs que ali atuam.



Enquanto houver Haiti como sinônimo de miséria, haverá gente ganhando muito dinheiro com projetos que pouco servem.



E que comprometem aqueles projetos essenciais, necessários e urgentes.



Agora, resta saber quanto desse dinheiro anunciado para a reconstrução chegará ao país. Quanto ficará pelo caminho.



E, claro, após esse período de emergência, não faltarão críticos às tropas da ONU, inclusive aos militares brasileiros.

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