Relações Exteriores

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Lula cobra apoio internacional ao Haiti

Lula cobra apoio internacional ao Haiti

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou nesta segunda-feira com o colega norte-americano Barack Obama e cobrou mais apoio internacional à reconstrução do Haiti.

Lula lembrou que o Brasil quer trabalhar em coordenação com os Estados Unidos e que os países mais desenvolvidos devem aumentar os valores doados.

No entanto, como o aeroporto de Porto Príncipe é controlado por militares norte-americanos, os aviões do país com equipes e doações têm prioridade de pouso. Os demais são desviados para a República Dominicana.

Vários vôos da Força Aérea Brasileira foram impedidos de aterrizar na capital haitiana. Alguns retornaram.

Apesar das autoridades brasileiras minimizarem os problemas, a nota firmada pela Secretária de Estado Hilary Clinton e o presidente do Haiti, René Prèval, dando aos Estados Unidos liberdade total de ação no país, significa que nem mesmo a ONU tem como controlá-los.

O Brasil teme perder o comando da missão e também por isso, deve aumentar o seu contingente militar.

Além disso, após anunciar a doação de US$ 15 milhões ao Haiti, Lula decidiu autorizar a liberação de R$ 35 milhões através de uma medida provisória.

A ONU havia solicitado pelo menos US$ 500 milhões, mas dos US$ 300 milhões que já teriam sido doados, apenas US$ 51 milhões foram depositados nas contas da organização.

Análise da Notícia

Marcelo Rech

Todos os avanços conquistados nos últimos cinco anos no Haiti ruíram com o terremoto do dia 12.

E a cada dia, a confiança nos organismos internacionais que já era pequena, diminui.

A incapacidade dos agentes políticos em agir com rapidez e eficiência chama a atenção.

No entanto, as cobranças mais enfáticas são feitas à Minustah que é comandada pelo Brasil desde a sua criação em 2004.

Por ignorância ou má fé, muita gente cobra dos militares o desenvolvimento econômico e social do Haiti, algo que não lhes diz respeito.

Os capacetes azuis estão no Haiti para prover segurança e permitir que as agências civis da ONU e as milhares de ONGs possam atuar junto à população.

Antes do terremoto, o país já havia sido pacificado.

Estive em Porto Príncipe em outubro e participei de várias patrulhas durante o dia e à noite nas áreas consideradas mais perigosas da capital.

Vi uma pobreza extrema.

No QG da ONU, uma burocracia estúpida.

Países como o Haiti são necessários para sustentar essa burocracia e manter empregos.

Daí que a urgência dos haitianos não é a mesma dos organismos internacionais. Nem das ONGs que ali atuam.

Enquanto houver Haiti como sinônimo de miséria, haverá gente ganhando muito dinheiro com projetos que pouco servem.

E que comprometem aqueles projetos essenciais, necessários e urgentes.

Agora, resta saber quanto desse dinheiro anunciado para a reconstrução chegará ao país. Quanto ficará pelo caminho.

E, claro, após esse período de emergência, não faltarão críticos às tropas da ONU, inclusive aos militares brasileiros.

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