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27/10/2006
Política Regional
27/10/2006

Lula garante que Amazônia é brasileira

Lula garante que Amazônia é brasileira

Luiz Inácio Lula da Silva

Bem, depois da exposição do nosso representante do INPE e da Marina, eu penso que o mais importante é a entrevista que a Marina, o Capobianco, o Sérgio Rezende e o pessoal do INPE vai dar aí embaixo, para entrar em detalhes técnicos com a curiosidade da imprensa.

Mas eu queria, Dilma, Marina, Sérgio Rezende e demais ministros, dizer para vocês uma coisa que me marcou muito quando eu chamei a Marina para ser ministra do Meio Ambiente. É que ela disse a mim que o desafio que estava colocado para ela não era o de ser um instrumento, puro e simplesmente, da proibição, para dizer que não pode fazer.

Ela me disse que iria trabalhar com sua equipe, propôs a criação dos instrumentos de transversalidade que, durante um tempo, virou uma palavra muito bonita entre nós aqui dentro.

E essa composição de treze Ministérios participando da discussão da Amazônia demonstra a seriedade com que nós tratamos a questão da Amazônia, ainda com o apoio das Forças Armadas brasileira.

É extremamente significativo a gente dizer, Marina, que você está provando que é possível, ao invés de proibir, a gente continuar ensinando como fazer as coisas corretas neste País.

É mais barato, mais econômico e mais saudável para o futuro da nação, e será muito melhor reconhecido pelos nossos netos, nossos bisnetos, daqui a alguns anos, quando eles perceberem que cuidar da Amazônia não foi uma decisão unilateral de um ambientalista, de um ministro ou de um presidente da República, mas foi uma determinação de políticas públicas de um governo que tenta cuidar da nossa fauna, que tenta cuidar da nossa floresta, que tenta cuidar das nossas águas, tentando reparar, no menor espaço de tempo possível, o descuido que durante tanto e tanto tempo as pessoas tiveram.

A verdade é que durante muito tempo a gente achou que a Amazônia era inesgotável, a gente achava que pelo fato de o Brasil ter uma quantidade enorme de rios, que não se ia ter problema de água no Brasil, a gente pensava que tinha uma fauna extraordinária e, portanto, ela nunca ia acabar.

E o que a gente descobre, muitas vezes ensinado pelas pessoas mais novas do que nós, é que se a gente não cuidar, o que a gente tem vai acabar. E quando acabar vai ser pior para todo mundo.

Nós, hoje, poderíamos dizer para todo mundo uma coisa que eu acho importante, já tem estudos na Embrapa, um estudo comparativo entre o Brasil e outros países do mundo, sobretudo os países desenvolvidos.

Eles têm pouco a nos dar conselho sobre como cuidar do meio ambiente, porque eles só foram descobrir que era necessário cuidar quando desmataram praticamente todo o seu território.

Mesmo assim, com muitos dos protocolos internacionais que são assinados para preservar o meio ambiente e diminuir a poluição emitida pelos países ricos, eles não querem concordar, ou seja, o que nós estamos vendo no mundo de hoje é que nas conferências internacionais tomam-se as mais belas decisões, mas depois grande parte delas não são implementadas porque as decisões são incompatíveis com a vontade ou a ganância do crescimento econômico que querem alguns países.

O Brasil, nesse momento, prova ao mundo que é possível fazer as duas coisas, que é possível a gente ter crescimento mais ordenado, que é possível a gente levar determinados tipos de empresas para regiões sensíveis como a Amazônia, menos poluentes, de que é possível a gente cuidar das nossas águas.

Por isso aprovamos o Plano que cuida dos recursos hídricos no Brasil. Eu não sei quantos países já criaram, mas nós criamos e ele está aí.

Nós sabemos da diferença entre ter as leis e elas serem cumpridas, porque muitas coisas feitas equivocadamente são feitas na clandestinidade, são feitas na base da bandidagem mesmo, nós temos que dizer em alto e bom som.

Os números que a Marina citou são números razoáveis de serem decorados pela população brasileira. Foram presas 379 pessoas, 71 pessoas eram servidores do Ibama, 19 pessoas eram servidores públicos e 289 madeireiros e lobistas.

Ou seja, essa gente, para parar de fazer o que fizeram, o Estado tem que agir com todo o seu mecanismo de atuação, da Polícia Federal ao Ministério Público, do Ministério do Meio Ambiente ao Ministério da Defesa, porque senão a gente não combate o desmatamento, não combate a poluição do meio ambiente.

Então, nós temos que afirmar, Marina, duas coisas fundamentais: primeiro, que é possível desenvolver a Amazônia com o cuidado com que precisa ser desenvolvida, porque lá também moram 25 milhões de seres humanos que querem ter acesso às coisas que tem nos grandes centros urbanos.

É possível levar um desenvolvimento mais limpo para lá, é possível que qualquer desmatamento que possa ser feito, que seja de forma ordenada, que se possa fazer como foi feito o projeto da BR-163, que pode servir de exemplo para o mundo.

Está certo que tem muita gente nos criticando, mas não importa que as pessoas critiquem, vamos fazer o debate, o dado concreto é dormirmos tranqüilos, sabendo que estamos propondo a coisa certa.

Se há incompreensões agora, amanhã deixará de haver incompreensões. Pagaremos um preço pelas críticas agora mas, amanhã, certamente alguém irá lembrar que houve um tempo neste País de um governo que não teve medo de brigar com um ou com outro para construir um país de futuro muito mais sólido, muito mais planejado do ponto de vista ambiental, muito mais cuidadoso do ponto de vista de não perder as coisas que a natureza nos deu.

Isso vem afirmar, definitivamente, que a Amazônia é brasileira, que o domínio soberano do nosso território é inquestionável, e quem quiser conhecer a Amazônia precisa pedir licença para o Brasil; quem quiser explorar tem que pedir licença para o Brasil porque nós não abrimos mão do controle soberano dessa reserva florestal extraordinária, a maior do Planeta. Não abriremos mão.

Uma vez eu li um livro, eu acho que é no Mauá, em que dizem que um pesquisador americano, andando por aqui no século XVII ou no século XVIII, chegou à conclusão de que o rio Amazonas era uma extensão do Mississipi e, portanto, eles tinham direito à Amazônia.

Eu acho que quanto mais a sociedade brasileira estiver convencida do ato soberano do Brasil em torno da Amazônia, mais o governo brasileiro estará compromissado em contribuir para, de um lado, preservar e, de outro lado, ajudar que aquela região se desenvolva sem agredir uma coisa sagrada que nós seres humanos tanto vamos precisar e que muitas vezes não nos damos conta do estrago que já foi feito.

Por isso, eu queria, Marina, em teu nome parabenizar os ministros que participaram disso, parabenizar a companheira Dilma pela coordenação, e dizer que agora você tem a incumbência de descer, você, o Capobianco, o INPE, o Sérgio, e ir falar para a imprensa brasileira – aqui mesmo? Então nós é que temos que nos retirar – e fazer o grande debate.

Se alguém tem dúvida, pode parar de ter dúvida porque nós não aceitaremos sequer brincar que a Amazônia corre qualquer risco de não ser brasileira como ela sempre foi.

Muito obrigado, meus parabéns, Marina.

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