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01/12/2005
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01/12/2005

Conselhão

Lula lamenta queda do PIB e cassação de Dirceu

Luiz Inácio Lula da Silva

Bom, primeiro, eu não sabia que era a última reunião deste ano. Segundo, dizem que o Presidente não tem que pedir desculpas, mas eu estou lá em cima recebendo notícias de que o Wagner está querendo terminar a reunião há muito tempo.

E nós estávamos tentando fazer uma telefonema para o Tony Blair, para poder ver se discutimos a questão da rodada de Doha, que está nos preocupando, porque os países que podem ceder não estão querendo ceder, e nós vamos ter, o Celso deve ter falado com vocês, nós vamos tentar ver se ainda fazemos um esforço colocando o Brasil à disposição de fazer toda a flexibilidade que estiver ao alcance do Brasil para que a gente alcance um sucesso na rodada de Doha.

Não é fácil. É mais fácil vender suco de laranja na China do que fazer alguns países entenderem que o subsídio agrícola prejudica os países mais pobres.

Não o Brasil, porque o Brasil tem condições competitivas. Mas países, sobretudo africanos e países aqui da América Latina. Vocês podem ter certeza que o Brasil vai cumprir a sua parte.

Não estava previsto eu falar hoje, aqui, mas eu preciso falar. Esse é o dilema. Nós temos uma semana em que tudo começou de forma muito promissora, com notícias boas, e uma semana que vai terminar com algumas notícias que não acalentam nenhum de nós.

Eu acho que duas coisas boas aconteceram esta semana. Primeiro, os números da PNAD. Confesso a vocês que eu estava, há muito tempo, esperando para que a gente soubesse se tinha surtido algum efeito, não apenas a política de crescimento que teve em 2004, mas, sobretudo, a política social que o governo implementou.

E os efeitos apareceram na pesquisa, numa demonstração de que investir na parte mais pobre da população, naquela que nem é assalariada ainda, significa a gente fazer uma distribuição de renda, e os resultados aparecem nos indicadores de qualquer instituto que fizer a pesquisa.

De forma, Patrus, que valeu a pena acreditar no Bolsa Família, não ser desestimulado nunca, quando alguma matéria saía, negativa, desesperadora, ou seja, o dado concreto é que valeu a pena fazer a política social, coordenada pelo teu Ministério, como valeu a pena a gente acreditar que o crescimento econômico é a base para que a gente possa fazer as outras políticas.

Obviamente que todo mundo sabe que 2004 foi um ano acima da média dos últimos 12 anos no Brasil, e nós colhemos o resultado também com reflexos na política social.

E a outra notícia que eu considero boa, nem sei se a imprensa brasileira deu destaque, porque hoje eu ainda não vi os jornais, mas foi o acordo que nós fizemos com a Argentina ontem.

Eu acho que nós demos um passo gigantesco na relação do Brasil com a Argentina. E o Celso me mostrava ali alguns dados de onde cresceram muito as exportações brasileiras e o Furlan citou os números.

Eu acho que os números poderiam ser melhores, mas melhor do que está, ou seja, nem vocês mesmos acreditavam que pudesse ser melhor a nível de exportação.

Eu acho que o Furlan, além de apresentar os números, vai ter que, um dia, apresentar para nós algo mais do que os números, mostrar porque o Brasil está crescendo tanto nas suas exportações em alguns países que, no começo do nosso governo, alguns tratavam com muito pessimismo.

O crescimento das nossas exportações para a América do Sul é uma coisa surpreendente, ou seja, não foi a América do Sul que descobriu o Brasil, foi o Brasil que descobriu a América do Sul, foi o Brasil que deu importância na sua relação com a América do Sul e os resultados estão aí.

Eu penso que, quanto mais todos os países tiverem um mínimo de crescimento, a tendência natural é as exportações brasileiras crescerem cada vez mais para este Continente.

E também para os países africanos, ou seja, o pouco que eles podem comprar certamente o Brasil tem chance de colocar seus produtos lá. Eu acho que isso tem muito a ver com o que pode possibilitar a gente fazer o resultado positivo na política social.

O acordo com a Argentina me chamou a atenção, Celso, por uma coisa que eu, depois de três anos e tantas reuniões, vi, ontem, pela primeira vez.

Ontem, pela primeira vez, nós fizemos uma reunião que não era tensa, uma reunião onde a parte brasileira e a parte Argentina estavam otimistas, e onde a parte brasileira e a parte Argentina estavam acreditando que os dois lados teriam que flexibilizar para que nós pudéssemos chegar ao termo em que nós chegamos.

E posso dizer para vocês que foi um encontro dos mais promissores que eu participei entre dois países, porque eu senti que as duas delegações – não sei se porque o Corinthians está com muitos jogadores argentinos e isso tem a ver com o clima – ou seja, o dado concreto é que o clima, ontem, era um clima de muito otimismo das duas partes, muito positivo.

E acho que, portanto, nós demos um passo extremamente importante. Eu digo sempre o seguinte: se a Argentina e o Brasil estiverem bem, a América do Sul toda estará bem. O Brasil e a Argentina são o pêndulo desse negócio e eu acho que, ontem, demos um passo extremamente importante.

Duas notícias que me deixaram… me fizeram pensar um pouco mais. Primeiro, a cassação do José Dirceu. Acho que o Congresso Nacional tem soberania para tomar as decisões e votar naquilo que a gente gosta e naquilo que a gente não gosta.

A única coisa que eu lamento, é que o José Dirceu tenha sido cassado antes de terem provado alguma coisa contra ele. Eu tinha dito há um mês atrás, no Programa Roda Vida, que do jeito que as coisas caminhavam o Congresso se via quase que na obrigação de cassar o José Dirceu, porque se não cassasse seria negar tudo o que foi feito.

Acho que o Congresso tomou uma decisão, a história vai se encarregar de dizer se foi certo ou não, mas eu acho que faltou provar para a sociedade que o Zé tinha comedido o decoro parlamentar pelo o qual ele foi acusado.

Acho que todo mundo aqui sabe a relação de amizade, de carinho, que eu tenho pelo José Dirceu, todo mundo sabe o quadro político importante que ele é, se ele errou ou não a história vai julgar.

O dado concreto é que eu acho que poderiam, antes de julgá-lo, ter provado o que diziam do José Dirceu e não fizeram isso ontem. Eu acho que a história vai se encarregar de colocar as coisas mais às claras para todos nós nos próximos meses, quem sabe nos próximos anos.

A segunda coisa foi a questão do PIB. E aqui eu queria dizer para vocês que como eu venho acompanhando isso, eu já esperava que fosse um trimestre ruim, mas não esperava que fosse o número que foi.

Entretanto, eu acho que não é motivo também para que a gente não acredite no que vai acontecer em 2006. Eu trabalho com a convicção, com a certeza que o Brasil entrou num caminho de estabilidade e de desenvolvimento que não tem retorno.

Obviamente que nós sempre temos tempo de fazer os reparos que precisaremos fazer naquilo que precisar ser reparado.

Mas eu quero dizer para vocês uma coisa muito séria, até por lealdade àquilo que vocês têm dado de contribuição ao governo, muitas demandas de vocês que ainda sequer foram discutidas na coordenação política do governo e que vamos ter que discutir, porque vocês vão começar o trabalho do ano que vem, nós vamos ter que prestar contas num pouco da demanda que vocês apresentaram este ano, porque senão vocês vão dizer: “para que o Conselho, se as nossas demandas não são levadas em conta na discussão do conselho político?” Elas vão ter que ser levadas em conta.

Mas eu quero dizer para vocês, por essa lealdade, que eu, primeiro, continuo acreditando que não há nenhuma razão para que qualquer ser brasileiro não acredite que o Brasil vai continuar crescendo. E pode crescer muito mais fortemente.

Há indícios na economia, há indícios no comportamento das pessoas, há indícios no BNDES de que isso vai acontecer.

O que nós precisamos é saber qual é o tempo em que isso vai acontecer e precisamos aí trabalhar, enquanto governo, e

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