Relações Exteriores

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27/04/2006
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27/04/2006

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Lula poderá mediar crise na Comunidade Andina

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi instado pelo colega colombiano Álvaro Uribe Vélez, para mediar a crise criada pelo presidente venezuelano Hugo Chávez Frias, que ameaçou retirar-se da Comunidade Andina de Nações (CAN), depois que Colômbia e Peru consolidaram seus tratados de livre comércio com os Estados Unidos.

Segundo o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, o interesse do Brasil é que mecanismos como a CAN e o Mercosul, sejam fortalecidos. Lula encontra Chávez nesta quarta-feira em São Paulo para a reunião trilateral Argentina, Brasil e Venezuela.

Garcia garantiu que o presidente Lula está aberto ao diálogo tanto com Chávez como com Uribe, e que o Brasil não quer o desaparecimento da CAN. “Conversaremos com ambos, com discrição”, afirmou Garcia.

A Comunidade Andina de Nações foi criada em 1996 e é formada por Bolívia, Colômbia, Equador e Venezuela. Álvaro Uribe esteve com o presidente Lula na manhã desta terça-feira, quando tratou de temas bilaterais, a criação da Comunidade Sul-americana de Nações, segurança e defesa na Amazônia e sobre projetos de infra-estrutura e cooperação energética, como a produção de biodiesel e etanol.

O presidente da Colômbia assegurou que o acordo firmado com os Estados Unidos não atrapalha o comércio na CAN e no Mercosul, mas que está disposto a compensar a Bolívia, por exemplo, se houver algum prejuízo. Ele também não perdeu a oportunidade para alfinetar Chávez.

“Se a Venezuela vende petróleo para lá [Estados Unidos], porque a gente não pode vender produtos agrícolas?”, questionou. “Teremos que encontrar a reforma que a Comunidade Andina necessita para ser uma comunidade absolutamente essencial, como sonhara o libertador Bolívar”, afirmou.

Cooperação Energética

De acordo com o Itamaraty, Lula e Uribe foram informados sobre os resultados da VIII Reunião da Comissão de Vizinhança Colômbia-Brasil, realizada em Brasília, no final do ano passado. O Brasil acatou reivindicação da Colômbia sobre o aumento dos custos de praticagem no rio Amazonas.

A partir de agora, os navios dos países da Amazônia com menos de duas toneladas, ficarão isentos de contratação de praticagem ao navegarem na bacia amazônica. Além disso, a cooperação em saúde e o incremento do comércio e dos investimentos recíprocos, somadas à perspectiva de cooperação no agronegócio, com o interesse colombiano pelo biodiesel.

Os dois países vão examinar alternativas de financiamento dos eixos de integração que permita a navegação nos rios Meta e Orinoco e o transporte através da rodovia Pasto-Mocoa.

Brasil e Colômbia também pretendem intensificar a fiscalização sanitária, para que haja intercâmbio seguro de sêmen bovino e embriões; contrato para fornecimento de carvão e coque siderúrgico ao Brasil; conclusão de estudos para identificar os produtos colombianos que podem ser incluídos na pauta de exportação para o Brasil e o aumento na freqüência dos vôos entre os dois países.

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