Brasil – SICA
14/09/2005
SICA – Brasil
14/09/2005

SICA – Brasil

Lula promete que relações comerciais serão equlibradas

Luiz Inácio Lula da Silva

Excelentíssimo senhor Oscar Berger, presidente da República da Guatemala,

Excelentíssimos senhores Chefes de Estado e de governo dos países membros do Sistema de Integração Centro-Americana-SICA,

Senhores Chanceleres,

Empresários,

Ministros dos países da América Central e do Brasil,

Meus amigos e minhas amigas,

Antes de ler o meu pronunciamento queria dizer ao presidente Berger que daqui a pouco vou a Nova Iorque, mas queria agradecê-lo pelo convite de visitar a Guatemala e poder trazer comigo empresários brasileiros com experiências de investimento em muitos países do mundo.

Com essa viagem à América Central eu penso que já cumprimos um ciclo no planeta. Começamos pela América do Sul, África, Oriente Médio, Ásia, Europa, América do Norte e, agora, América Central. E fazemos isso porque acreditamos que neste mundo globalizado não há tempo a perder.

Não tem como governantes e empresários ficar sentados nos seus gabinetes esperando a visita de um possível comprador ou de um possível vendedor.

Este século XXI será o século da ousadia, o século da competência, o século em que nós temos que afirmar um ditado popular do meu país: “quem não é o maior tem que ser o melhor”.

Por isso, essa relação pressupõe troca de conhecimentos. Pressupõe entendermos que nós não temos o direito de repetirmos no século XXI os mesmos erros que cometemos no século XX ou no século XIX.

Eu penso que a humanidade, sobretudo a parte mais pobre da população, está à espera de que sejamos mais criativos, de que sejamos mais ousados e consigamos tornar realidade todos os sonhos que a cada eleição prometemos aos povos de nossos países.

Por isso, presidente Berger, muito obrigado por essa oportunidade de visitar a América Central, de visitar o seu país. Eu desconhecia muito a América Central quando era oposição, porque tenho muitas relações políticas nesse mundo. Mas, como Chefe de Estado é minha primeira visita. Gracias.

Quero cumprimentar os empresários aqui presentes. Os brasileiros e os empresários da América Central. Saúdo o entusiasmo com que todos responderam ao convite para participar deste encontro sem precedente. Este é um momento especial para iniciar nova e ambiciosa parceria econômica, comercial e de cooperação entre o Brasil e o Sistema de Integração Centro-Americano – SICA.

O comércio exterior brasileiro passa por uma fase excepcional. Cresce muito acima do comércio mundial. Em 2004, exportamos 100 bilhões de dólares, desempenho inédito em nossa história. Os dados parciais de 2005 indicam que essa tendência veio para ficar. Nos últimos doze meses, chegamos a 110 bilhões de dólares. Neste ano batemos recordes de crescimento todos os meses.

Estamos diversificando nossas exportações e conquistando novos mercados. Nossas empresas estão buscando novos horizontes. Nossas importações não ficam atrás. No ano passado, alcançaram 63 bilhões de dólares. Este ano serão maiores, tendo em vista o crescimento sustentado da economia brasileira.

Queremos estender esse dinamismo para o comércio com os países do SICA. Em 2004, as trocas entre o Brasil e os parceiros centro-americanos atingiram 1,4 bilhão de dólares – menos de 1% do comércio exterior brasileiro.

As exportações do Brasil para a região totalizaram 1 bilhão e 300 milhões, e as importações foram de 105 milhões de dólares. Os números são claros: estamos muito aquém do nosso potencial e temos de corrigir esse desequilíbrio na balança comercial.

E assim, Presidente, quero afirmar que, por mais que o Brasil queira crescer as suas exportações, temos consciência de que é preciso haver um equilíbrio na balança comercial. Nós precisamos vender, mas precisamos comprar, porque todos os países têm o direito de crescer, gerar divisas, gerar empregos e fazer distribuição de renda.

Um dos principais instrumentos ao nosso alcance para estimular o aumento das trocas é a negociação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e o SICA.

Uma das características dos acordos que o Mercosul tem assinado com outros países da região é o reconhecimento, sempre que cabível, de assimetrias. O acordo de livre comércio entre SICA e os Estados Unidos também oferece oportunidades e estímulo adicional para investimentos brasileiros nos países da região.

Estou seguro de que todos os empresários aqui presentes partilham a expectativa de que a Rodada de Negociações de Doha reduza os entraves arbitrários à expansão do nosso comércio.

Todos ganharão com a redução dos subsídios e barreiras tarifárias aplicadas pelos países desenvolvidos. O G-20, que o Brasil ajudou a criar, e que tem coordenado até hoje, é uma força nas negociações que não pode mais ser desconhecida.

É motivo de alegria constatar a presença ativa de um país centro-americano – a Guatemala – nas atividades do G-20, como na recentíssima reunião ministerial no Paquistão.

A percepção de que competimos pelos mesmos mercados não deve impedir que juntemos esforços para assegurar um comércio internacional mais justo e equilibrado.

Senhoras e senhores,

Nossos governos estão fazendo a sua parte. Contamos com a ousadia e empenho de vocês, empresários, para fazer chegar novos investimentos brasileiros nos países centro-americanos. É esse o sentido do Programa de Incentivo a Investimentos Brasileiros na América Central e Caribe.

Sei que empresas brasileiras do setor têxtil já estão desenvolvendo estudos para a instalação de novas fábricas na região. Iniciativas como essa garantirão a geração de empregos e a criação de renda.

A cooperação técnica também é fator de estímulo para novos empreendimentos. Os programas brasileiros de combustíveis renováveis, como o Etanol e o Biodiesel, são alternativa energética para a América Central. O Brasil está pronto a compartilhar uma tecnologia inovadora e limpa.

Além de reduzir a emissão de gases poluentes, gera postos de trabalho no campo e valoriza a agricultura familiar.

Quero agradecer o apoio dos homens de negócio brasileiros ao fortalecimento das relações econômicas com o SICA. A presença empresarial, em feiras e missões comerciais, como esta, complementa o trabalho do governo.

Atuando em conjunto, seremos capazes de gerar novos negócios e criar novas oportunidades, em benefício do desenvolvimento de nossos países e do bem-estar de nossos povos.

Muito obrigado e boa sorte.

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