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Marinha dá início ao Projeto do Submarino Nuclear

Marinha dá início ao Projeto do Submarino Nuclear

Brasília – A Marinha do Brasil deu início no último dia 6, ao Projeto do Submarino de Propulsão Nuclear, em cerimônia realizada no seu Centro Tecnológico em São Paulo. O evento marcou uma importante etapa do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), em que será desenvolvido o primeiro submarino nuclear do país.

Além disso, também foi inaugurado o Escritório Técnico de Projetos em São Paulo, que foi especialmente equipado com avançados recursos de Tecnologia da Informação (TI) e uma sala de videoconferência para atender às necessidades que um projeto dessa magnitude exige.

A Marinha informou que o programa, inserido no escopo do contrato firmado entre a força e a empresa francesa DCNS, exceto a parte nuclear da planta de propulsão, engloba ainda a construção de um estaleiro e base naval, na região de Itaguaí (RJ), e a construção de quatro submarinos convencionais.

“Entre os benefícios para o país estão o fortalecimento da indústria nacional e o aprimoramento da qualificação técnica de profissionais brasileiros que trabalharão no PROSUB, garantindo ao

Brasil a capacidade de desenvolver e construir seus próprios submarinos no futuro, de forma independente”, explicou a Marinha em nota.

Este ano, o PROSUB inaugurou a primeira das quatro fábricas da Unidade Produtora de Hexafluoreto de Urânio (USEXA) e do Centro de Instrução e Adestramento Nuclear ARAMAR (CIANA), em Sorocaba (SP), que vão permitir o fortalecimento do domínio do ciclo do combustível nuclear para o país.

Atualmente, apenas cinco países – China, Estados Unidos, França, Inglaterra e Rússia – detêm este domínio tecnológico. Com este empreendimento, o Brasil passa a integrar a lista, uma vez que o reator nuclear e a propulsão do submarino nuclear serão desenvolvidos no país.

Projeto do Submarino Nuclear Brasileiro

O projeto iniciado em 6 de julho terá ainda três anos para alcançar o nível básico do submarino de propulsão nuclear, para então ter início a fase detalhada, simultaneamente com a construção do submarino, em 2016, no estaleiro da Marinha em Itaguaí.

Considerado um dos mais complexos meios navais já idealizados pelo homem, o submarino de propulsão nuclear possui significativas vantagens táticas e estratégicas.

Seu reator nuclear, por ser uma fonte quase inesgotável de energia, confere-lhe enorme autonomia, podendo desenvolver velocidades elevadas por longos períodos de navegação, ampliando significativamente sua mobilidade e permitindo-lhe patrulhar áreas mais extensas dos oceanos.

Além disso, por operar ininterruptamente mergulhado, em completa independência do ar atmosférico, este tipo de submarino é praticamente indetectável, inclusive por satélites.

A Marinha assegura que o submarino nuclear será totalmente projetado e construído no Brasil, empregando os mesmos métodos, técnicas e processos de construção desenvolvidos pelos franceses.

Parte significativa dos equipamentos desenvolvidos para os quatro submarinos convencionais, de propulsão diesel-elétrica, será aproveitada no SN-BR.

Estima-se que cada um dos submarinos a ser produzido no Brasil contará com mais de 36 mil itens a serem fabricados no país, por mais de 100 empresas brasileiras.

Entre esses equipamentos estão válvulas de casco, motores elétricos, sistema de combate, bombas hidráulicas, quadros elétricos, sistemas de controle e baterias de grande porte, dentre outros.

De acordo com a Marinha, o processo de capacitação da indústria de defesa nacional, envolvendo transferência de tecnologia e expressiva nacionalização de equipamentos, possibilitará que a qualificação alcançada pelos profissionais brasileiros possa ser utilizada em diversos outros segmentos da indústria nacional.

O Programa de Desenvolvimento de Submarinos irá gerar, durante as obras de construção em andamento, mais de 9 mil empregos diretos e outros 27 mil indiretos.

Para o período de construção dos submarinos projeta-se, na área de construção naval militar, a criação de cerca de 2 mil empregos diretos e 8 mil indiretos permanentes, com utilização expressiva de mão-de-obra local.

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