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Poder Naval

Marinha garante que nunca houve projeto de Submarino Nuclear

O Comando da Marinha informou ao InfoRel que “não há, nem nunca houve um projeto de construção do submarino nuclear.

De acordo com o Comando da Marinha, “o que existe é um programa nuclear conduzido pela Marinha, composto de dois grandes projetos: o Projeto do Ciclo do Combustível e o Projeto do Laboratório de Geração Núcleo-Elétrica (LABGENE).

Segundo o Comando, quanto ao Projeto do Ciclo do Combustível, a tecnologia já está praticamente dominada. Em relação ao LABGENE, projeto que visa o desenvolvimento e a construção de uma planta nuclear de geração de energia elétrica, suas obras de montagem estão em andamento.

O InfoRel não foi informado sobre o progresso dessas obras. Em 2006, foram destinados R$ 36 milhões para o programa nuclear conduzido pela Marinha Para 2007, estão previstos R$ 34 milhões, verbas considerada absolutamente insuficientes pela Marinha.

Para se ter uma idéia do empreendimento, desde o seu início, o Programa Nuclear da Marinha (PNM), no final dos anos 70, foram investidos um total de US$ 1,1 bilhão. Para concluir o LABGENE, o custeio ao longo dos anos, o término do ciclo de combustível e o término da infra-estrutura requerem um volume de recursos da ordem de R$ 1,1 bilhão.

“Somente depois de desenvolvidos esses projetos e logrado êxito na operação dessa planta nuclear, serão criadas condições para que, no futuro, havendo decisão de governo para tal, possa ser dado início à elaboração do projeto e construção de um submarino com propulsão nuclear, ou submarino nuclear de ataque (SNA)”, esclareceu o Comando da força.

A primeira fase do programa, considerado um salto tecnológico, foi alcançada pela Marinha no final da década de 1980, com o enriquecimento de urânio em escala laboratorial, o que significa o virtual domínio da tecnologia.

A partir daí, os recursos para o programa foram reduzidos e a Marinha teve de arcar por quase duas décadas, com os custos de manutenção do programa, apesar de conviver com reduções sistemáticas no seu orçamento.

De acordo com o Comando da Marinha, o programa sobrevive em estado praticamente vegetativo, limitado a pouco mais do que a preservação do conhecimento (recursos humanos).

Para a Marinha, a única maneira de evitar a perda de tudo o que foi investido e, principalmente, do que foi alcançado, é a transformação do programa da Marinha em um projeto nacional, com garantia de alocação continuada de recursos.

Submarino Nuclear

Em 1982, a MB contratou o consórcio alemão HDW-FERROSTAAL, para a construção de quatro submarinos de propulsão convencional (diesel-elétrica). O primeiro foi construído na Alemanha, no estaleiro HDW (modelo IKL-209-1400), batizado de Tupi, e os outros três, da mesma classe, denominados Tamoio, Timbira e Tapajó, foram construídos no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro.

Em 1995, foi assinado novo contrato, acrescentando mais um submarino, o Tikuna. Com a entrega do Tikuna, verificou-se a necessidade de se construir um novo submarino, “sob pena de, por um lado, se perder uma capacitação tão duramente alcançada e, por outro, ficar sem perspectiva de renovação dos meios”, explicou o Comando.

A Marinha informou que o acordo com a HDW não se refere ao programa nuclear. Antes de se decidir pelo projeto do IKL-214, da HDW, a força já havia estudado o projeto do submarino Scorpène, da empresa ARMARIS, da França.

O processo seletivo adotado pela MB, para escolha do novo submarino, a ser adquirido mediante construção no país, resultou na seleção do projeto do IKL 214, da HDW para se evitar a duplicidade de custos logísticos, para apoiar submarinos de origens diferentes, buscando-se, para tanto, manter a padronização dos modelos IKL-HDW, de origem alemã.

Thyssen

O Comando da Marinha esclareceu ainda que o acordo com a Thyssen não tem qualquer relação com o programa nuclear. A Thyssen é a empresa holding da HDW e a construção de uma siderúrgica no Rio de Janeiro é parte das contrapartidas previstas na minuta de contrato para a construção do submarino IKL-214 no Brasil, um projeto de submarino convencional.

Além disso, a Marinha assegurou que recebeu todas as informações por parte dos alemães quanto aos problemas apresentados pelo submarino vendido à Grécia.

“Os problemas que teriam ocorrido com o submarino grego, durante as provas de mar, foram problemas técnicos menores, perfeitamente normais para um novo projeto e que foram sanados de imediato. Como exemplo de que isso é, de certa forma, normal ocorrer, o primeiro submarino chileno, adquirido recentemente da França, também teve problemas na sua prova de mar”, destacou a Marinha.

A Marinha informou também que ao longo dos últimos 15 anos, o orçamento alocado à força tem sido substancialmente inferior às suas necessidades mínimas. “O número de baixas de navios tem sido muito maior do que o de novas incorporações, resultando no encolhimento continuado desta Força.

“Caso se dispusesse de um submarino nuclear de ataque, ele seria empregado na tarefa básica do Poder Naval de negar o uso do mar, que é cumprida, também, pelos submarinos convencionais existentes”, concluiu o Comando da Marinha.

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