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15/11/2005
Comércio Mundial
15/11/2005

Comércio

Mensagem do Presidente Lula ao Primeiro-Ministro Tony Blair

”Tomei conhecimento com muito interesse de seu discurso ontem na
Mansion House, no qual Vossa Excelência aborda vários aspectos relativos à
globalização e ao combate à pobreza.

Notei, com especial interesse, suas
afirmações sobre a importância da conclusão rápida e exitosa da Rodada de
Doha em beneficio de todos, mas em especial dos países em desenvolvimento.

Concordo com sua avaliação segundo a qual foi a consciência em fazer com que
o comércio traga benefícios efetivos para as populações mais pobres do mundo
que impulsionou o lançamento da Rodada em meio à atmosfera sombria que se
seguiu aos trágicos eventos de 11 de setembro.

Somente combatendo a pobreza
construiremos a segurança de que todos necessitamos e somente com o comércio
livre de distorções injustas e injustificadas poderemos integrar milhões de
seres humanos na esfera dinâmica da economia mundial.

O momento é crucial. Os países ricos, de cuja população ativa, como bem
assinala Vossa Excelência, menos de 2% estão empregados no campo, têm de
abrir seus mercados agrícolas e eliminar subsídios distorcivos que impedem
os países mais pobres de competir em igualdade de condições, portanto, de
usufruir das riquezas geradas pelas novas tecnologias.

Os Estados Unidos
fizeram um gesto importante, embora insuficiente, ao sinalizar sua
disposição de reduzir substancialmente os subsídios mais distorcivos. Esse
gesto terá de ser complementado por disciplinas para assegurar a natureza
menos distorciva de outras formas de apoio à produção agrícola.

O corte
global no montante de subsídios também deve ser mais significativo. Mas
sabemos que, para que tais passos ocorram, é indispensável que a UE dê
sinais claros de que está efetivamente disposta a abrir seus mercados e
reduzir os subsídios internos que hoje são, de longe, os maiores do mundo.

Louvo, pois, a atitude de liderança assumida por Vossa Excelência,
não só como Primeiro-Ministro de um influente membro do G-7, mas como
Presidente da UE.

Estou certo de que os países em desenvolvimento não
deixarão de fazer sua parte em prol do nosso objetivo comum de fortalecer o
sistema multilateral e tornar o comércio mais livre e mais justo,
respeitados os critérios de proporcionalidade e flexibilidade que estão no
cerne do tratamento especial e diferenciado consagrado pela OMC e reforçados
em Doha.

O Brasil tem plena consciência do que deve fazer e, na verdade, já
tem feito pelos países mais pobres.

Dentro desses parâmetros, Vossa Excelência pode estar certo de contar com
meu apoio, inclusive pessoal, para que alcancemos esses objetivos, cujas
implicações não se limitam ao comércio, mas dizem respeito à própria
preservação da paz e da segurança internacionais”.

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