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08/10/2014

Integração Regional

Mercosul: Bolívia quer entrar e Uruguai não quer sair

Brasília – A chancelaria boliviana informou que até dezembro será concretizado o processo de ingresso do país como membro pleno do Mercosul. De acordo com Hugo Varsky, assessor especial em temas de integração da chancelaria boliviana, a confirmação deve ser feita na cidade argentina de Entre Rios, no dia 15 de dezembro.

Em 2012, foi assinado em Brasília o Protocolo de Adesão da Bolívia. Mesmo com a confirmação do ingresso boliviano pelos Chefes de Estado, o Protocolo precisa ser ratificado pelos Parlamentos dos demais países-membros.

Apesar das declarações do funcionário boliviano, o Congresso brasileiro não deve analisar a matéria em 2014. Na melhor das hipóteses, o assunto pode ser discutido a partir de 1º de fevereiro e já com os novos parlamentares eleitos em 5 de outubro.

Enquanto a Bolívia trabalha para ingressar, o Uruguai reclama, se queixa, mas descarta abandonar o bloco.

O presidente José Pepe Mújica disse nesta terça-feira, 7, em Montevideo, que o Uruguai não tem interesse em abandonar o Mercosul, mas advertiu que o bloco não pode permanecer de forma “vegetativa”.

Mújica também não descartou firmar acordos bilaterais como opção ao Mercosul, contrariando as normas do bloco e o que defendem principalmente Argentina, Brasil e Venezuela.

Ele também criticou as arrastadas negociações entre o Mercosul e a União Europeia. Para o presidente uruguaio, se um acordo com os europeus não for viável, os países do bloco devem buscar outras alternativas de comércio.

Segundo ele, “não temos nenhum interesse em deixar o Mercosul, mas não podemos permanecer de forma vegetativa. Nos resta, em último caso, uma série de acordos bilaterais com os quais podemos firmar boas parcerias”.

Por outro lado, reconheceu a sensibilidade do tema, principalmente por ser o Uruguai um país muito pequeno. “Não podemos ficar lamentando por nós mesmos porque se a região não nos acompanha ou nos fecha as portas, não teremos outro caminho que tentar um grau de flexibilidade com outras partes do mundo”, explicou.

Na sua avaliação, o Brasil, por suas dimensões, é uma nação que pode dar-se ao luxo de funcionar com uma economia fechada. Já o Uruguai não pode permitir-se nada que se pareça com o isolamento.

Mújica também se referiu à importância da China no comércio com a América Latina e destacou as compras chinesas de matérias-primas e alimentos que em grande medida, contribuiu com a economia uruguaia.

“Um bom comprador que paga bons preços para o que vendemos, por um lado, e um vendedor que vende barato para o que compramos, o que ajudou a baixar os custos industriais direta e indiretamente”, afirmou.

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