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MERCOSUL terá condução de emergência e Uruguai evita suspenção da Venezuela

Brasília – O MERCOSUL terá uma condução de emergência e o Uruguai evitou a suspensão da Venezuela do bloco. Este foi o resultado da segunda reunião de coordenadores nacionais do MERCOSUL realizada nesta terça-feira, 23, em Montevidéu com o objetivo de solucionar o impasse em torno da presidência pro tempore vaga desde o final de julho.

A reunião durou mais de 10h e a postura uruguaia de resistência às pressões da Argentina, Brasil e Paraguai, foi determinante para que a Venezuela seguisse no MERCOSUL, mas sem qualquer chance de presidir o bloco. Sem consenso, os países fundadores buscarão agora uma forma de conduzir o MERCOSUL emergencialmente até janeiro quando a Argentina assumirá o comando.

Os coordenadores nacionais decidiram aprovar um calendário de reuniões que serão realizadas até dezembro com o propósito de tirar o MERCOSUR da estagnação e fazer avançar os principais temas de sua agenda externa. Os países fundadores reconhecem que as instâncias do bloco não funcionarão de maneira regular, mas haverá um esforço para preservar as concessões recíprocas e o comércio.

Além disso, eles voltarão a Montevidéu em data a ser confirmada para retomar as negociações com a União Europeia, das quais a Venezuela já não participava. Também se buscará neste período uma maior aproximação com a Aliança do Pacífico, a complementação do Plano de Ação aprovado em maio deste ano, e uma avanço significativo nos demais acordos extrarregionais em curso.

À revelia dos demais membros, na semana passada, a ministra das Relações Exteriores da Venezuela, Delcy Rodríguez, esteve na Índia onde anunciou em nome do MERCOSUL a intenção do bloco em expandir o acordo de livre comércio assinado com aquele país em 2009.

Mesmo convidada para a reunião, a Venezuela não enviou representantes. De acordo Rodríguez, o encontro de coordenadores nacionais convocado pela Argentina representava “uma usurpação das atribuições da Venezuela no exercício da presidência pro tempore”.

Enquanto Argentina, Brasil e Paraguai defendiam que a Venezuela não poderia presidir o bloco por não ter cumprido com todas as normas exigidas de um membro pleno, o Uruguai sustentou a necessidade de se manter o rodízio definido pelo Tratado de Assunção.

Como estratégia para mostrar que está no comando do MERCOSUL, a Venezuela convocou uma reunião dos mesmos coordenadores nacionais para esta quarta-feira, 24, também em Montevidéu. Argentina, Brasil e Paraguai não enviarão representantes. Apenas o Uruguai e a Bolívia que não é membro pleno, deverão assistir o encontro.

Participaram a reunião desta terça-feira, o Subsecretário de América do Sul, Central e Caribe, do Brasil, Embaixador Paulo Estivallet de Mesquita; o representante da chancelaria uruguaia, Gabriel Bellón; a Secretária de Relações Econômicas Internacionais da Argentina, Cristina Boldorini, e o vice-ministro de Relações Econômicas e Integração da chancelaria paraguaia, Rigoberto Gauto.

Venezuela

Enquanto Argentina, Brasil e Paraguai tentavam convencer o Uruguai da necessidade de enquadrar a Venezuela, o presidente Nicolás Maduro afirmava em Caracas que seguirá exercendo a presidência pro tempore do MERCOSUL. Segundo ele, “a Venezuela tem a razão moral e seguirá no comando do MERCOSUL de maneira equilibrada e justa”. Na sua avaliação, o cenário político sul-americano mudou com “o golpe de Estado no Brasil, com o governo falido da Argentina e com o governo fascista do Paraguai”.

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