Brasília, 12 de dezembro de 2018 - 15h56

Economia

17 de dezembro de 2014
por: InfoRel
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Marcelo Rech, especial de Bogotá, Colômbia



Mesmo com um conflito armado que dura mais de 50 anos, a Colômbia cresceu 5% entre janeiro e setembro deste ano, enquanto que o Brasil registrou dados negativos.



Primeiro, o governo brasileiro jurou de pés juntos que a crise internacional passaria à margem da economia. Depois, que a grave situação econômica era resultado exatamente desta crise.



Pois bem, na Colômbia, país que sempre teve sua imagem associada ao narcotráfico e às guerrilhas das FARC e ELN, a crise internacional não afetou a economia. Ao menos suas autoridades não usam fatores externos para justificar problemas.



O crescimento no último trimestre ficou abaixo do esperado, mas registrou 4,2% quando o México cresceu 2,2%, o Chile deu uma estancada, e o Peru junto com o Brasil, registraram dados negativos entre julho e setembro.



Cauteloso, o ministro da Fazenda Maurício Cárdenas disse ao InfoRel que a meta para 2014 é fechar com um crescimento de 4,7% e projeta 4,5% para 2015. O setor da construção civil foi o motor da economia colombiana com um avanço de 12,7%.



“A Colômbia conseguiu conquistar a confiança interna e externa, com o estímulo ao consumo interno e aos investimentos externos. Isso faz com que as pessoas vejam o futuro com otimismo e nos leva a tomar decisões que mantém dinâmica a economia”, afirmou.



Processo de Paz



“O mundo inteiro está com uma grande expectativa sobre o processo de paz na Colômbia. O mundo se pergunta por que este conflito ainda não terminou quando todos os demais acabaram como na África do Sul ou Irlanda. Já chegou a hora de pôr fim ao conflito”, afirmou em entrevista Exclusiva realizada no Senado colombiano.



De acordo com Cárdenas, o presidente Juan Manuel Santos está empenhado em alcançar a paz que impactará no cotidiano das pessoas, em mais segurança para os colombianos e melhor qualidade de vida.



“Mas terá um enorme impacto também na economia. O conflito nos custou muito em termos de oportunidades. Passamos por uma fase de muita estigmatização, com nossa imagem associada ao conflito e às drogas, o que quase nos transformou num Estado falido”, explicou.



Para Maurício Cárdenas, o grande mérito da Colômbia foi sua capacidade de reagir ao quadro que se fortalecia. “Hoje, a Colômbia é um país exemplar no manejo de sua economia, nos seus indicadores econômicos, sociais, na atração aos investimentos estrangeiros”, revelou.



A Colômbia tem hoje, o maior investimento em relação ao PIB da América Latina, 30%. “Isso demonstra uma enorme confiança não apenas dos empresários colombianos, mas também dos investidores estrangeiros no processo em curso”, salientou.



Brasil



O ministro da Fazenda da Colômbia afirmou ainda que há muito espaço para aumentar as relações com o Brasil em matéria econômica. “Creio que Brasil e Colômbia devem aproveitar melhor as sinergias que se apresentam e ampliar a relação econômica que já é muito expressiva”, destacou.



Para Maurício Cárdenas, os dois países também devem compartilhar melhor suas visões sobre o processo econômico nos foros internacionais. Segundo ele, “os países emergentes terão mais força e serão melhor ouvidos se chegam unidos e com o mesmo discurso nas discussões políticas e econômicas internacionais”.



Sobre a Aliança do Pacífico (AP) vista por muitos analistas como um projeto contra o Brasil e sua liderança regional, Cárdenas foi contundente: “A AP não é um projeto excludente, mas um projeto para mercados abertos, com muita responsabilidade fiscal. E o primeiro passo deram os empresários, depois os governos. Temos que aproveitar as oportunidades que surgem e a aproximação com o Mercosul é bem-vinda, mas é preciso que outros blocos sejam mais abertos para que essa integração funcione plenamente”.


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