Relações Exteriores

Super Tucano
06/04/2006
Chile
11/04/2006

Universidade de Brasília

Michelle Bachelet recebe título de Doutora Honoris Causa

Nesta terça-feira, a presidente do Chile, Michele Bachelet, recebeu o título de Doutora Honoris Causa, concedido pela Universidade de Brasília [UnB]. Ela está no país para incrementar as relações bilaterais.

Além da sessão solene na UnB, Bachelet tem encontro reservado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando serão assinados diversos acordos nas áreas de energia, geologia e mineração.

Será criada uma comissão mista permanente, com o objetivo de garantir o suprimento regional de energia entre os dois países. Também serão firmados acordos para facilitar a residência aos nacionais dos dois países, que põe em vigência, bilateralmente, acordo sobre o assunto negociado no âmbito do Mercosul e de cooperação técnica em meio ambiente, sobre a preservação do patrimônio ambiental de responsabilidade dos dois países.

A presidente Michele Bachelet, ex-ministra da Saúde e da Defesa no governo de Ricardo Lagos, pretende aprofundar as relações com o Brasil, principalmente com o fortalecimento das políticas voltadas aos direitos humanos e cooperação sul-americana.

Ela afirmou que apóia a pretensão brasileira de ocupar um assento permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas [ONU]. Também deve manter as tropas chilenas na Missão das Nações Unidas Estabilização do Haiti [Minustah], atendendo um pedido pessoal formulado pelo presidente Lula, quando de sua posse em Valparaíso.

Segundo o Palácio do Planalto, “tanto o Brasil quanto o Chile empenham-se em favor da estabilidade política e da cooperação para o desenvolvimento econômico e social em toda a região. O Chile é Estado Associado do Mercosul e um entusiasta da Comunidade Sul-Americana de Nações. Os dois países estão comprometidos em fazer avançar projetos de infra-estrutura voltados para a integração e que favoreçam o crescimento da região”.

Comércio

Enquanto o Brasil cresce a minguados 2,5% ao ano, o Chile consolida um crescimento anual de 6% há dez anos. Neste sentido, os dois governos pretendem estimular os negócios bilaterais.

Em 2005, o intercâmbio comercial alcançou a cifra histórica de US$ 5,25 bilhões, o que representa um crescimento do comércio bilateral de 31,9% em relação a 2004. No ano passado, o Chile exportou para o Brasil, US$ 1,72 bilhão de dólares e os investimentos chilenos no país superam os US$ 4 bilhões de dólares.

No mesmo período, as exportações brasileiras para o Chile foram de US$ 3,52 bilhões de dólares e concentram-se no setor de transportes, petróleo bruto, telefones celulares e carne bovina.

Haiti

Durante o encontro privado, os presidentes Lula e Michele Bachelet, também repassaram a agenda internacional, com foco especial para a Minustah.

No próximo dia 23 de maio, os países doadores têm reunião em Brasília e o objetivo do Brasil é que sejam acelerados o envio de recursos para a reconstrução do Haiti.

Brasil e Chile também devem estreitar os entendimentos em relação à Iniciativa contra a Fome e a Pobreza – da qual também fazem parte França, Alemanha, Argélia e Espanha –, quanto aos mecanismos financeiros inovadores, defendidos pelo presidente brasileiro e que conta com o apoio do Chile.

Ainda segundo o Planalto, os dois países compartilham da mesma visão sobre a importância da Rodada de Doha e em relação à Organização Mundial do Comércio e ao comércio multilateral. Para ambos, o tema da agricultura é fundamental para o avanço das negociações.

Brasil e Chile são parceiros no G-20, que tem desempenhado, de acordo com a diplomacia brasileira, papel decisivo no redimensionamento e dinamização das negociações no âmbito da OMC.

Universidade de Brasília

Michele Bachelet, 54 anos, é médica pediatra formada na ex-Alemanha Oriental, foi ministra da Saúde e da Defesa e exilada pelo regime de Augusto Pinochet.

Divorciada, tem três filhos. Seu pai, o general Alberto Bachelet, oficial da Força Aérea Chilena, foi morto pela ditadura que derrubou o presidente Salvador Allende, em 1973.

Segundo ela, “o título outorgado pela Universidade de Brasília pertence a todos os chilenos, pois Chile somos todos nós”. Ela defendeu a integração sul-americana e a cooperação em direitos humanos, revelando que vai ratificar todos os tratados internacionais sobre o tema, incluindo o Tribunal Penal Internacional e as convenções da ONU sobre tortura e violação de direitos humanos.

“Nunca mais, por nenhum motivo, os chilenos serão violados em seus direitos humanos”, afirmou. Ela explicou que a reconciliação do país é necessária, tanto quanto é preciso terminar de se conhecer toda a verdade sobre a ditadura Pinochet. “A memória de milhões de chilenos não pode ser esquecida”, concluiu.

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