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Mil venezuelanos serão transferidos de Roraima

Brasília – O governo brasileiro decidiu nesta terça-feira, 21, que mil venezuelanos refugiados em Boa Vista e Pacaraima, no Estado de Roraima, serão transferidos para outros estados. Eles estão alojados em dez abrigos e deverão seguir para cidades na região sul do Brasil entre o final de agosto e o início de setembro. A informação é da Casa Civil da Presidência da República.

Uma comitiva interministerial encontra-se em Roraima para avaliar a implementação de novas medidas após o confronto do último sábado, 18, quando 1,2 mil venezuelanos foram expulsos de Pacaraima. Dedes o início do ano, 820 refugiados foram interiorizados com o apoio do Exército e da Força Aérea Brasileira (FAB).

Com a medida, o governo federal pretende eliminar a população de rua formada por venezuelanos que ingressam pela fronteira de Roraima todos os dias. Além disso, será construído um abrigo de transição em Pacaraima e ampliados os que já recebem os imigrantes.

De acordo com a subchefe substituta da Casa Civil, Viviane Esse, “a intenção é que a gente faça a regularização de fronteira de forma humanitária. Temos também o processo se interiorização e de acolhimento para que não tenhamos mais pessoas nas ruas. O presidente [Michel Temer] anunciou o fortalecimento dessas ações”, explicou.

Já o Secretário Nacional de Segurança Pública, Flávio Basílio, informou que mais 60 homens da Força Nacional foram enviados para Roraima nesta terça-feira para apoiar o trabalho da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Exército. Eles deixaram Brasília em 16 viaturas e um ônibus. Na segunda-feira, 20, chegaram em Boa Vista os primeiros 60 homens da Força Nacional de um total de 120.

Também nesta terça-feira, uma equipe com técnicos de 11 ministérios visitou a cidade de Pacaraima para avaliar a situação e levantar informações para que novas medidas sejam adotadas com o objetivo de ajudar os imigrantes venezuelanos.

O dia foi de reuniões com os representantes das agências da Organização das Nações Unidas (ONU) que tratam de refugiados e com agentes sociais que prestam assistência aos estrangeiros.

Ricardo Rinaldi, coordenador de emergências e ajuda humanitária da Fraternidade Internacional, um dia após os confrontos, cerca de 500 venezuelanos entraram no Brasil por Pacaraima. Ele explicou que o Estado não tem mais condições financeira e estrutural para acolher de forma adequada todos os imigrantes que aguardam vaga nos abrigos. Cerca de 2 mil venezuelanos continuam vivendo nas ruas de Boa Vista. Para piorar, grande parte do Estado é cortado por reservas indígenas, o que limita as ações jurídicas e geográficas.

A ideia era criar um polo industrial na região para poder empregar os imigrantes ou construir um grande abrigo que pudesse acolher até 10 mil pessoas.

“Nós [governo, sociedade] não temos experiência com esse fluxo migratório. Todos nós estamos aprendendo nessa situação”, disse Rinaldi, acrescentado que o foco neste momento é a interiorização dos venezuelanos que já estão com documentos e foram imunizados, para abrir vagas nos abrigos.

O próximo desafio é criar condições de acolhimento nos outros estados, não só nas capitais, mas também em cidades do interior.

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