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Estratégia

Ministro da Defesa defende energia nuclear

Na última sexta-feira, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, voltou a defender a retomada do Programa Nuclear Brasileiro para a geração de energia, que terá como próxima etapa a construção da usina Angra 3, em Angra dos Reis (RJ), a partir de setembro de 2008.

Segundo Jobim, “é absolutamente necessário que tenhamos um sistema complementar de produção de energia elétrica de uma matriz não hidráulica”.

O ministro falou à imprensa após visitar as instalações da usina de Angra 2, na companhia do presidente da Eletronuclear, Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva.

Othon Luiz Pinheiro da Silva explicou que o Brasil não tem mais condições de construir os grandes reservatórios de água do passado, construídos em áreas já desmatadas pelos ciclos agrícolas.

“A partir de 1982, a estocagem de água ficou constante”, afirmou o almirante.

O Ministério da Defesa informou que embora o Brasil ainda tenha grande potencial para gerar energia hidrelétrica, os novos pontos concentram-se na região amazônica, e as novas usinas deverão funcionar com o sistema a fio-d’água, ou seja, com pequenos reservatórios, e com geração de eletricidade proporcionada pelo fluxo dos rios, conforme previsto no projeto das usinas do rio Madeira.

Neste sentido, resta ao Brasil ampliar a energia térmica em sua matriz, para garantir a segurança energética em períodos de baixa pluviosidade. “As térmicas são de agora em diante indispensáveis ao funcionamento do sistema”, afirmou o presidente da Eletronuclear.

Ele destacou ainda que no universo das térmicas, a de geração nuclear é das mais competitivas. As fontes de energia são acionadas de acordo com o preço do produto, indo da mais barata para a mais cara, e atualmente a energia nuclear é a segunda fonte no Brasil, com 3,3% da energia total, ficando a geração a gás em terceiro lugar (3,1% ) e o carvão em quarto (1,6%). A geração majoritária continua sendo hidrelétrica, com 91,9%.

Para o ministro Nelson Jobim, a geração adicional de energia por meio nuclear também fortalece a independência brasileira em relação à produção do combustível nuclear. O aumento da escala aumenta a viabilidade econômica de se produzir todo o ciclo do enriquecimento no Brasil.

A tecnologia já foi desenvolvida pela Marinha, mas faltam os recursos para construir as instalações industriais destinadas à uma produção que seja suficiente para atender à demanda.

O Ministério da Defesa também entende que a questão do combustível é essencial para o desenvolvimento do submarino de propulsão nuclear. A previsão dos militares é que até 2015 deverá ser desenvolvido o reator que movimentará o submarino, e paralelamente estão sendo desenvolvidos estudos para a construção do submarino.

Para Jobim, se o país não tiver autonomia sobre o ciclo do combustível, fica vulnerável a pressões externas, por isso é importante que o Brasil controle todo o ciclo do combustível.

“Operação Dunquerque” reforça plano de evacuação de Angra

Para a Eletronuclear, o risco de um acidente nuclear grave no complexo de Angra é considerado tão remoto quanto o da queda de um meteorito sobre uma pessoa, no entanto a administração do complexo pode reforçar o plano de evacuação da área das usinas com possibilidade de resgate por mar e ar, para tranqüilizar ainda mais os moradores da região.

Para tanto, o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, afirmou que a empresa poderá implementar a “Operação Dunquerque”, que utilizaria barcos de voluntários para ajudar na retirada.

A operação Duquerque original (Operação Dínamo) ocorreu em junho de 1940 no noroeste da França, quando cerca de 100 mil soldados franceses e mais de 200 mil ingleses se viram acuados pelas tropas alemãs na região da cidade de Dunquerque.

Uma operação dramática envolvendo barcos civis e militares, até mesmo de lazer, com o trabalho de voluntários, conseguiu evitar a morte e o aprisionamento dos soldados e levá-los para a Inglaterra, informou o Ministério da Defesa.

O plano prevê que os barcos da região receberiam um plano de emergência, assinalando o local para onde deveriam se dirigir e o ponto de entrega dos moradores resgatados.

Ele explicou que o plano poderia ser complementado com o resgate de idosos e deficientes por meio de helicópteros, operação que ele chama de “Tempestade no Deserto”.

Othon Luiz Pinheiro da Silva destacou que já existem três rotas de fuga da região, por meio de estradas, mas que a tecnologia usada em Angra dos Reis é segura até mesmo para conter radiação em caso de um acidente mais sério.

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