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Ministro da Defesa garante recursos para o Gripen em 2017

Brasília – O ministro da Defesa, Raul Jungmann, garantiu que o orçamento do governo federal para 2017 já tem assegurado o valor de R$ 1,5 bilhão para o projeto do caça Gripen NG. A afirmação foi feita nesta terça-feira, 22, após a inauguração do Centro de Projetos e Desenvolvimento do Gripen (na sigla em inglês, Gripen Design Development Network), em Gavião Peixoto (SP).

Segundo ele, “os recursos estão garantidos para que o projeto siga seu cronograma, que está indo muito bem”, afirmou Jungmann. De acordo com o Comando da Aeronáutica, o Brasil investirá cerca de US$ 5 bilhões no projeto que inclui a compra de 36 aeronaves de caça que serão entregues entre 2019 e 2024.

“O GDDN é o principal marco no processo de transferência de tecnologia entre Brasil e Suécia do projeto Gripen NG. Trata-se do primeiro da lista de 60 projetos de offset (compensações de natureza industrial, tecnológica ou comercial) avaliados em US$ 9 bilhões”, informou a Aeronáutica.

O local é o ambiente para a execução de projetos de desenvolvimento, testes e verificação, bem como para o armazenamento de sistemas de suporte para o novo avião de caça do Brasil, o Gripen NG. Por meio do GDDN, principalmente, vai ocorrer o processo de transferência de tecnologia, cujo pacote envolve capacitação, produção e manutenção.

Jungmann também defendeu que a escolha da aeronave de caça sueca para equipar a Força Aérea Brasileira foi a melhor sob os pontos de vista de tecnologia, de defesa e de transferência tecnológica, o que vai incrementar a capacidade técnica e operacional da indústria brasileira de aeronáutica.

“O entendimento da Força Aérea Brasileira foi de que o melhor projeto para o Brasil, para a defesa do Brasil, era exatamente o Gripen. Hoje, podemos comprovar isso, de fato nós fizemos a melhor opção”, destacou. O ministro classificou a inauguração do GDDN como um marco, devido ao longo processo que envolveu o projeto F-X2, entre a decisão do Brasil de substituir as aeronaves de caça, tomada há 20 anos, até a escolha da aeronave sueca, em 2013.

Para o Comandante da Aeronáutica, Brigadeiro Nivaldo Luiz Rossato, a inauguração do GDDN é um passo importante na construção do projeto Gripen NG. “Começou quando iniciamos o projeto; depois de muitos anos, quando o governo federal decidiu que esse seria o nosso avião; posteriormente, com a assinatura dos contratos e, no ano passado, com o financiamento”, lembrou.

Rossato destacou que futuramente o centro de engenharia também servirá a outros projetos. “É uma etapa importantíssima, mas lembro que é um passo em vista da meta que queremos atingir”, afirmou.

Desenvolvimento

Já em 2017, o local receberá metade do total dos 300 engenheiros e técnicos previstos para quando estiver em pleno funcionamento. Até 2024, o Brasil enviará 350 engenheiros para a Suécia. Segundo a Saab, fabricante do Gripen, eles serão divididos em cinco grupos e cumprirão 25 mil horas de treinamento teórico e prático na Suécia. O GDDN será a base de trabalho e de transferência de tecnologia entre a Saab e a Embraer, além de outras empresas como Akaer, AEL Sistemas e Inbra.

A Aeronáutica informou ainda que as conexões seguras do local, que estará em rede com o centro equivalente na Suécia, vão proteger informações do projeto. Na parte central do edifício estarão concentradas as áreas de projeto estrutural, cargas e estresse. A construção também vai abrigar  espaços para telemetria e monitoramento de ensaios em voo.

KC-390

Após a inauguração, o ministro da Defesa e o relator do Orçamento da União, senador Eduardo Braga, conheceram o maior avião já produzido no Brasil, o KC-390. O avião multimissão, que será a principal base estrutural da aviação de transporte da Força Aérea Brasileira, em fase de ensaios em voo, será produzido no complexo da Embraer em Gavião Peixoto, planta que concentra produtos de defesa da empresa.

“Esse projeto [KC-390] nos coloca em condições de competir com as maiores indústrias do mundo que desenvolvem aviões”, garantiu Jungmann. Ele busca sensibilizar o relator do orçamento para garantir os recursos que permitam a conclusão deste projeto e a continuidade dos demais no âmbito das Forças Armadas.

O ministro explicou que quando o novo cargueiro entrar em ritmo de produção, a capacidade produtiva será de 18 unidades por ano e a fabricante poderá receber a encomenda de 500 aeronaves. “Isso significaria dizer que nós teríamos um impacto na balança comercial ao ano de U$$ 1 a 1,5 bilhão só com a venda do KC-390”,  revelou o ministro.

No entanto, ele lembrou que o projeto necessita de mais R$ 200 milhões para a construção do terceiro protótipo da aeronave e, assim, garantir a certificação. “O país sai na frente, mas precisa se manter na frente. Se o projeto atrasar, o que vai acontecer é que outros países também desenvolverão seus produtos e ocuparão esse lugar”, concluiu Jungmann.

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