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11/06/2014
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12/06/2014

Integração

Ministro defende que América Latina aproveite as mudanças globais

Brasília – “Na reorganização da ordem global que estamos observando, nenhum país da América Latina encontrará condições promissoras de desenvolvimento de forma isolada. Ou buscamos a integração ou teremos grandes dificuldades”, afirmou o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Clélio Campolina Diniz, em conferência realizada na terça-feira, 10, na sede da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), em Santiago, Chile.

Ele defendeu a integração da América Latina como etapa necessária ao desenvolvimento econômico e social da região, permitindo que os países do continente possam se inserir de forma mais soberana e ativa no mercado mundial, cuja dinâmica tem se transformado rapidamente nas últimas décadas, com a emergência de novos atores e polos regionais de crescimento.

O discurso do ministro marcou o início dos trabalhos da 1ª Conferência de Ciência, Inovação e Tecnologias da Informação e das Comunicações, que contou com a participação de autoridades governamentais dos países da América Latina e do Caribe, observadores de outras nações e blocos econômicos (Japão, Itália, Alemanha, França, Espanha e União Europeia), além de representantes de instituições multilaterais, como a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), Corporação Andina de Fomento (CAF), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), International Development Research Centre (IDRC), entre outros.

Mudanças globais

De acordo com Campolina, uma das principais transformações em curso na ordem global é a ascensão asiática, liderada pela China. A participação da Ásia no Produto Interno Bruto (PIB) mundial cresceu seis pontos percentuais, passando de 23,6% para 29,6% entre 2000 e 2012.

A posição relativa da China teve incremento substancial no mesmo período, subindo de 3,9% para 8,9%. Em contraste, a economia japonesa perdeu peso, baixando sua participação de 10,8% para 8,8% nos mesmos anos. Trajetória declinante análoga foi observada com as outras economias centrais: a participação dos Estados Unidos caiu de 29% para 26,4% e a da União Europeia foi de 30% para 25,8%.

Dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostram que a indústria chinesa já suplantou a norte-americana. Em 2011, o país asiático respondia por 21% do valor agregado bruto do setor manufatureiro mundial, ao passo que os Estados Unidos eram responsáveis por 16,1%.

Na sua avaliação, essa reconfiguração regional da produção tem reflexos geopolíticos importantes, uma vez que ensejou o surgimento de novos atores no plano mundial, exigindo novas formas de governança global, como o G-20, que agrega, às economias capitalistas centrais, um grupo de países emergentes, entre eles Brasil, México e Argentina, além de outras nações da Ásia, África e Oriente-Médio.

“No contexto contemporâneo, a ordem global não pode mais ser gerida a partir apenas das grandes economias capitalistas tradicionais, como foi no passado recente”, observou.

Segundo ele, as mudanças no plano econômico e político internacional criam oportunidades a serem aproveitadas pelos países periféricos, em especial para América Latina. “A janela está aberta, mas ela se fechará em algum momento”, advertiu.

Um desafio a ser superado pelos países latino-americanos diz respeito à integração regional. “A despeito das inúmeras iniciativas efetuadas desde a década de 1960, persistem ainda descontinuidades no continente, com poucos nexos entre as bases produtivas de cada país e uma débil infraestrutura de comunicação no continente”, afirmou.

Os fluxos de comércio intra-regional ilustram esse quadro latino-americano fragmentado. Enquanto na América do Norte, Europa e Ásia, centros dinâmicos da economia mundial, 49%, 70% e 53% das exportações, respectivamente, dirigem-se para as próprias regiões, na América Latina esse percentual baixa para 17%, considerando o México – que integra o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta, na sigla em inglês).

Assim, segundo o ministro, os países da América Latina devem promover a integração econômica regional e, ao mesmo tempo, investir fortemente em educação, ciência, tecnologia e inovação, de modo a criar condições efetivas para que sejam aproveitadas as oportunidades de desenvolvimento criadas pelas atuais mudanças na ordem global.

Ao final do encontro, foi assinada declaração conjunta em favor do aprofundamento do diálogo e do trabalho articulado entre os países latino-americanos no campo da ciência e da tecnologia.

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