Brasília, 20 de outubro de 2019 - 01h55
Ministros da Agricultura do BRICS discutem a produção sustentável de alimentos

Ministros da Agricultura do BRICS discutem a produção sustentável de alimentos

25 de setembro de 2019 - 16:42:23
por: Marcelo Rech
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Brasília - Os ministros da Agricultura dos países que integram o BRICS, grupo composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que representa 42% da população mundial e 23% do PIB global, iniciaram, nesta quarta-feira, 25, em Bonito (MS), a sua 9ª Reunião com o objetivo de debater a inovação tecnológica na agropecuária no contexto de aumento da população mundial e da demanda por alimentos.

“Eu, como ministra da Agricultura recebendo os outros quatro ministros do BRICS no Brasil não poderia deixar de vir para Mato Grosso do Sul e aí me veio a ideia de trazer essa reunião para Bonito, porque para mim representa o que temos de preservação do meio ambiente, de agricultura sustentável”, afirmou Tereza Cristina.

Segundo ela, “vamos tratar de assuntos muito importantes para todos os cinco países, que representam 40% da população do mundo. Além disso, num momento em que o mundo pede uma alimentação mais sustentável e consciente, estamos no melhor lugar para debater esses temas”, afirmou.

A ministra também lembrou que os cinco países do BRICS ocupam 26% da superfície do planeta. “Detemos 29% de sua água doce e movimentamos quase 20% do comércio global”, destacou.

Em discurso de abertura do evento, Tereza Cristina defendeu regras no comércio internacional que permitam equidade entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. “Um comércio agrícola de fato livre e justo permitiria, sem dúvida, a disseminação de melhoria das condições no campo, onde está concentrada a maior parte da pobreza no mundo. Desencadearia, ademais, outro ciclo virtuoso, em que maior produção descentralizada garantiria maior acesso a alimentação e nutrição adequadas”, explicou.

A ministra reafirmou que as medidas protecionistas e subsídios adotados pelas nações desenvolvidas ameaçam o crescimento da agricultura em países com menor poder econômico. “O protecionismo em países desenvolvidos tem ameaçado a viabilidade de uma revolução verde em países em desenvolvimento, por expô-los à competição injusta de bens subsidiados e por negar acesso a mercados consumidores importantes”.

Tereza Cristina defendeu que o comércio global deve ser regulado por princípios científicos, o que garantirá igualdade de oportunidades para as nações na produção e comercialização de alimentos. De acordo com a ministra, quando os países deixam de se basear na ciência, colocam em risco o investimento e estímulo à inovação, recurso fundamental para o aumento da produtividade e qualidade dos alimentos fornecidos.

“À medida que alguns países desenvolvidos abandonam os princípios baseados em ciência na regulação da produção e do comércio de alimentos, não apenas o comércio justo é penalizado, mas todo o ecossistema de inovação que nos permitiria alimentar mais pessoas com o emprego de menos recursos. Ao desinformar consumidores, ceder a grupos de pressões e se afastar das regras multilaterais, certos atores importantes prejudicam os mesmos objetivos que dizem proteger: o desenvolvimento dos mais pobres; o acesso democrático a alimentos de qualidade; e a preservação do meio ambiente”, assinalou.

Foi por meio da inovação, destacou a ministra, que o Brasil tornou-se uma das maiores potências agrícolas do mundo, sendo fornecedor de alimentos para mais de 1 bilhão de pessoas. Tereza Cristina ressaltou que o futuro demanda um setor agrícola cada vez mais produtivo com sustentabilidade. E citou as medidas que o país já vem adotando para cumprir essa meta, entre elas o Plano Agricultura de Baixo Carbono (Plano ABC), que ajuda os produtores rurais a se adaptarem às mudanças climáticas e reduz a emissão de gases de efeito estufa.

“No caso do Brasil, posso dizer que temos muito orgulho da sustentabilidade ambiental e econômica de nossa agricultura. Trabalhamos incessantemente para promover iniciativas como a recuperação de pastagens degradadas, a ampliação das áreas de plantio direto, a integração lavoura-pecuária-floresta, a adoção de técnicas de fixação biológica de nitrogênio e o uso de tecnologias de tratamento de resíduos animais”, disse.

Ela lembrou que as conquistas alcançadas pelo BRICS até o momento serão insuficientes se não mudarem a vida dos cidadãos de cada um dos países. A ministra conclamou seus colegas a assegurarem práticas globais que não comprometam a continuidade da agricultura.

“A declaração que assinaremos em breve, nossa Declaração de Bonito, terá a bandeira da promoção da inovação e das ações para aprimorar novas soluções para sistemas de produção de alimentos. Nela estão refletidos não apenas os avanços de cada um nós, mas também o avanço de nossa ambição coletiva. Destaco nosso comprometimento conjunto com a facilitação do comércio internacional e com o papel central que as regras elaboradas com fundamentação científica devem ter nesse sistema”, afirmou.

O vice-ministro da Rússia, Sergey Levin, destacou a importância do desenvolvimento rural no país, já que várias famílias ainda buscam garantia da segurança alimentar. O secretário do ministério indiano, B. Pradhan, informou que uma das prioridades é alcançar a segurança alimentar com sustentabilidade e que o BRICS precisa aprimorar as relações entre os integrantes para chegar a esse objetivo. Atualmente, o setor agrícola é responsável por empregar 58% dos indianos.

Para o vice-ministro da China, Taolin Zhang, o BRICS pode ser um importante ator na redução da pobreza mundial. Na China, a meta é zerar a pobreza até 2030. O país defende uma reforma no comércio agrícola para ampliar a produção, melhorar a infraestrutura, promover a inovação tecnológica e conectividade. Zhang disse ainda que o Brics deve se posicionar contra o “protecionismo negativo”.

O vice-ministro da África do Sul, Mcebisi Skwatsha, ressaltou a necessidade de aprimorar a cooperação agrícola entre os países. Segundo ele, os sul-africanos estão comprometidos em aumentar a produção junto com sustentabilidade, priorizando carnes, grãos, frutas, legumes e vinhos. O país tenta retomar produção após enfrentar queda no volume por causa de uma estiagem severa.