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Satélites

Ministros vão depor sobre a Base de Alcântara

Os ministros da Defesa, Nelson Jobim, e da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, serão convidados para discutir na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, do Senado Federal, a situação do Centro de Lançamentos de Alcântara (CLA), no Maranhão.

A audiência pública está prevista para 4 de junho. Confira mais detalhes sobre a binacional no blog InfoRech, acessado a partir da página inicial do InfoRel.

Brasil e Ucrânia firmaram em 2005, acordo de cooperação que deu origem à Alcântara Cyclone Space, empresa binacional que trabalha no desenvolvimento dos foguetes Cyclone 4 e 5, que serão lançados da base.

O governo brasileiro enfrenta resistências de quilombolas que reclamam direitos sob as terras onde foi construída a Base de Alcântara. O projeto está atrasado por conta de decisões judiciais que paralisaram as obras no local.

Em abril, o diretor-geral brasileiro da Alcântara Cyclone Space, Roberto Amaral, falou ao Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica, da Câmara dos Deputados, sobre o Programa Espacial Brasileiro.

Segundo ele, um foguete de qualificação que não tem caráter comercial, deverá ser lançado em 2010.

Sobre o projeto com a Ucrânia, Amaral afirmou que “neste momento, estamos realizando os estudos de impacto ambiental direto e indireto. Assim que essa fase terminar, teremos a licença para começar a construir o nosso sítio de lançamento”.

O ex-ministro da Ciência e Tecnologia afirmou ainda que a parceria do Brasil com a Ucrânia tem sido muito proveitosa. “O que sobra em um país, falta em outro”.

Roberto Amaral destacou ainda que “o Brasil possui o melhor lugar do mundo para lançamento de satélites, Alcântara, que fica próxima à Linha do Equador e ao lado do mar. Já a Ucrânia é um dos países com maior capacidade tecnológica para desenvolver veículos lançadores.”

Sobre a transferência de tecnologia prevista no acordo, Amaral afirmou que a Ucrânia abriu as portas de suas fábricas à presença de técnicos brasileiros, “o que tem valor inestimável”, ressaltou.

“Temos uma estrutura deficiente para gerir o nosso programa espacial. Por falta de política governamental continuada e apoiada por recursos compatíveis com a grandeza da missão, até hoje, e no futuro visível, nossos satélites têm sido e serão lançados por outros países, mesmo aqueles poucos concebidos no Brasil. Ou seja, perda de divisas, de empregos e de soberania”, criticou.

Programa Espacial Brasileiro

O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Carlos Ganem, reuniu-se com o presidente do Senado Federal, José Sarney (PMDB-AP), que prometeu apoiar um maior investimento brasileiro em tecnologia espacial.

Carlos Ganem reconheceu que o Brasil está atrasado 30 anos nessa área se comparado com os países que estão ganhando a corrida espacial, “num negócio que é milhares de vezes mais compensador que toda a balança comercial brasileira”.

De acordo com Ganem, “um programa espacial não pode ficar pendurado no desígnio de um partido que ganhe a eleição. Deve ser traduzido como algo essencial à população. Esse é um programa vital na saúde, na educação, na integração das pesquisas. E é vital para um país com as dimensões do Brasil”, afirmou.

O presidente da AEB revelou que a falta de apoio governamental tem obrigado os melhores técnicos brasileiros a migrarem para outros programas, como da Nasa, nos Estados Unidos, Roskosmos, na Rússia, e CNES, da França.

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