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Minustah: um novo paradigma nas operações de paz

Minustah: um novo paradigma nas operações de paz

Marcelo Rech, de Porto Príncipe

O embaixador do Brasil no Haiti, Igor Kipman, afirmou nesta quinta-feira que a missão de estabilização do Haiti representa um novo paradigma nas operações de paz sob a égide das Nações Unidas.

De acordo com o diplomata, a forma como o Brasil conduz a missão é exemplo para toda a comunidade internacional. Segundo Kipman, a saída das tropas deve ser gradual a partir do segundo semestre de 2011.

No cargo desde fevereiro de 2008, Igor Kipman já foi o encarregado de negócios da representação brasileira no Haiti em 1995.

Trata-se, portanto, de um profundo conhecedor da realidade do país. Ele também serviu na República Dominicana.

Para o embaixador, o Haiti evolui de forma muito lenta, mas positiva. Além disso, ao contrário do ano passado, o país não enfrentou nenhum furacão em 2009.

Em 2008, quatro furacões deixaram cerca de 800 mil haitianos desabrigados.

Igor Kipman minimizou as críticas feitas por representantes de ONGs, inclusive e principalmente brasileiras, de que as mudanças no Haiti são vagarosas.

“A cultura local impõe esse ritmo. Não adianta tentar fazer as coisas mais rapidamente”, afirmou.

Na avaliação do diplomata, a realidade haitiana passa pela geração de empregos, 100 mil pelo menos a cada ano.

“Todo o esforço será inútil sem empregos. 80% da população está desempregada e estamos trabalhando para atrair investimentos privados no Haiti, do Brasil, dos Estados Unidos, Canadá e Europa”, destacou.

Exemplo

O embaixador do Brasil no Haiti ressaltou que a ONU já entendeu que para surtir algum efeito, as missões de paz não podem se concentrar apenas na vertente militar.

É preciso fortalecer as instituições dos países para que eles voltem a ter vida própria.

Sobre os gastos do governo brasileiro com as tropas no Haiti, Igor Kipman destacou que o retorno em termos de projeção internacional é extraordinário, sem contar os benefícios diretos para as Forças Armadas.

Na sua avaliação, são ganhos intangíveis, por isso suscitam críticas muitas vezes injustas.

De acordo com dados do ministério da Defesa, ONU e Minustah, o Brasil gastou cerca de R$ 577 milhões com as tropas no Haiti até o mês de fevereiro deste ano. Desse total, a ONU reembolsou apenas R$ 276 milhões.

Ainda segundo as mesmas fontes, os recursos destinados a Minustah chegam aos US$ 601, 5 milhões.

Atualmente, a missão tem 7.060 militares de 12 países, 2000 mil policiais de 49 nações, 900 funcionários civis, sendo 230 voluntários, de 69 países, e emprega 1.500 haitianos.

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