Brasília, 19 de novembro de 2018 - 06h21

Minustah

07 de outubro de 2009
por: InfoRel
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Marcelo Rech, de Porto Príncipe

Os integrantes da missão das Nações Unidas de Estabilização do Haiti acreditam que a vertente militar poderá deixar o país já em 2011 com a posse do novo presidente.

Neste mês, um plano de reconfiguração da missão será implantado pela Minustah. O Brasil receberá novos encargos, mas será reduzido o efetivo de combate da missão. Blindados serão substituídos por veículos leves.

De acordo com o subcomandante da missão, o general chileno Ricardo Toro Tassara, caminhões e jipes são menos ofensivos e mais efetivos para a atual realidade do Haiti.

Ele explicou ainda que as áreas operacionais estão sendo redesenhadas para que se respeitem os limites dos Departamentos (estados).

Com o objetivo de facilitar o diálogo, tropas peruanas foram deslocadas para a fronteira com a República Dominicana onde hoje atuam militares da Jordânia.

Toro Tassara revelou que as tropas serão diminuídas paulatinamente e substituídas por equipes de engenharia e missões humanitárias.

Pelo menos 120 blindados e 80 homens do Batalhão Haiti (Brasil) devem deixar o país até o final do ano.

Na avaliação do Coronel João Batista Carvalho Bernardes, comandante das tropas brasileiras no Haiti, “não é momento de sair. Uma retirada prematura pode significar o recrudescimento da situação local”.

Ele entende que as tropas devem sair aos poucos do país na medida em que as forças policiais estejam em condições de assegurar a segurança e a estabilidade conquistadas pela Minustah.

Otimista, Bernardes aposta no turismo, na agricultura e nos serviços como geradores de empregos e renda para o Haiti, país que tem uma população jovem à espera de oportunidades.

Manifestações

O general Toro Tassara reconhece que a falta de vontade política pode comprometer o trabalho realizado pela missão.

“Como não há desenvolvimento, a estabilidade alcançada pode ser comprometida. Ela será garantida quando tivermos desenvolvimento político, econômico e social. Até lá, será uma estabilidade frágil sempre suscetível às manifestações populares”, afirmou.

De acordo com o militar, são muitas as demandas sociais urgentes no Haiti. Os professores, por exemplo, estão há dois anos sem receber salários.

Segundo ele, “há coisas que não se produzem por falta de meios, mas há também muita coisa que não se produz por falta de vontade política”.

Até o momento, não chegou um único centavo dos US$ 370 milhões prometidos para os programas de reconstrução do Haiti.

Nas últimas eleições presidenciais, apenas 12% da população compareceu às urnas, o que mostra o grau de descrença dos haitianos na classe política do país.

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