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Lula minimiza crise

Morales é convidado para jogar futebol com Lula

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Evo Morales, reuniram-se por mais de duas horas em Viena e deixou o encontro garantindo que as tensões entre os dois países arrefeceu.

Na avaliação de Lula, “tinha muita fumaça e pouco fogo” na crise que começou no dia 1º de maio quando a Bolívia decidiu nacionalizar as reservas de petróleo e gás natural.

“Eu disse ao presidente Evo Morales que o Brasil precisa do gás da Bolívia e a Bolívia precisa vender o gás para o Brasil, portanto eu preciso encontrar o ponto de equilíbrio justo para que o Brasil fique satisfeito e a Bolívia fique satisfeita,” explicou Lula ao final do encontro.

Lula fez questão de afirmar que os dois países precisam buscar um entendimento satisfatório para ambos e assegurou que há um entendimento em relação à necessidade de se manter a paz e a integração. Na sua opinião, essa é a única chance de se desenvolver a América Latina.

“Eu acho que, tendo essa compreensão, não teremos problema nenhum no nosso continente. E nós temos que ter clareza que é preciso parar na América Latina de um presidente ficar culpando o mundo pela pobreza do seu país”, afirmou o presidente brasileiro.

Lula foi além, comentando as declarações de Morales de que seu país tem sido explorado há 500 anos. “Acho que se a gente pensar no século 21, a gente pode dar um salto de qualidade. Se a gente ficar remoendo o passado, na verdade nós não andaremos”, disse.

Já o presidente da Bolívia, preferiu não comentar as próprias declarações de que não pretende indenizar a Petrobrás, acusada por ele de praticar o contrabando e explorar gás e petróleo na Bolívia, com base em contratos ilegais.

Futebol

Como forma de diminuir as tensões, Lula convidou Evo Morales, para uma nova visita ao Brasil, onde ele jogaria uma partida de futebol com o presidente brasileiro. De acordo com o chanceler brasileiro, Celso Amorim, as relações do Brasil com a Bolívia serão discutidas por ele em La Paz, para onde embarca na próxima semana.

A viagem já estava programada, mas Amorim ressaltou que o presidente Evo Morales o convidou a ir à Bolívia. Ainda sem data marcada, a visita de Morales ao Brasil deverá incluir a discussão da crise energética e vários projetos de cooperação, revelou o ministro brasileiro das Relações Exteriores. Evo Morales também afirmou que gostaria muito de receber Lula em La Paz.

Imprensa

Bem humorado, Evo Morales não revelou detalhes da conversa que manteve com Lula, mas acusou a imprensa de criar um conflito entre Brasil e Bolívia. Além disso, explicou que os dois países criaram uma comissão integrada pelos ministros que tratam da área de energia.

Caberá a esta comissão, manter os presidentes informados a respeito das negociações, incluindo o volume de gás exportado pela Bolívia e o aumento dos preços. “Temos muito interesse em aumentar nossas exportações para o Brasil. Os preços também precisam ser discutidos, mas a comissão vai se encarregar disso”, afirmou o presidente da Bolívia.

Celso Amorim afirmou que o objetivo da reunião realizada em Viena era apenas retomar o diálogo e evitar mal-entendidos e que os dois presidentes não entraram em detalhes sobre a crise. Nesta sexta-feira, Amorim disse que o Brasil poderia retirar seu embaixador de La Paz se o governo boliviano mantivesse o tom das críticas ao Brasil.

Ele também assegurou que o governo brasileiro vai defender os interesses da Petrobras, com respeito às leis e à ordem na Bolívia. “O Brasil precisa do gás da Bolívia, por enquanto, mas a Bolívia também precisa do Brasil. Temos que encontrar soluções benéficas para ambos os lados”, reiterou.

Durante toda a semana, as relações entre os dois países atingiram níveis de tensão que preocupara até mesmo a União Européia. Por parte do governo brasileiro, ainda resistem às inquietações com relação ao radicalismo do ministro dos Hidrocarbonetos da Bolívia, Andres Soliz Rada, e ao envolvimento do presidente venezuelano Hugo Chávez na crise.

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