Brasília, 01 de outubro de 2020 - 13h30
Mourão apoia o fortalecimento das relações do Brasil com países árabes

Mourão apoia o fortalecimento das relações do Brasil com países árabes

14 de maio de 2020 - 16:50:26
por: Marcelo Rech
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Brasília – O vice-presidente Hamilton Mourão prometeu, nesta quarta-feira, 13, a apoiar a criação de uma linha marítima direta entre o Brasil e os países árabes, e a assinar acordos para evitar dupla tributação sobre investimentos com mais governos daquela região. Ao participar de uma videoconferência promovida pela Câmara Árabe Brasileira, ele se comprometeu ainda a atuar para melhorar o fluxo de comércio e investimentos entre o Brasil e os países árabes.

A conferência virtual foi conduzida pelo presidente da Câmara Árabe, Rubens Hannun, com participação dos vice-presidentes da entidade e foi assistida por 840 pessoas, entre brasileiros e árabes. Mourão defendeu que a entidade faça a ponte entre o Brasil e os países árabes para que os acordos necessários sejam firmados em breve.

Sobre a dupla tributação, o vice-presidente reconheceu que “é uma das pedras que o investidor carrega quando vem aqui no Brasil”, e lembrou, no entanto, que o país assinou com os Emirados Árabes Unidos, no ano passado, acordos de cooperação e facilitação de investimentos e convenção para eliminar a dupla tributação sobre a renda e prevenir a evasão fiscal.

Segundo Mourão, “isso pode ser replicado de país a país. Os senhores podem, por meio das ligações que têm, apresentar aos demais países, e irmos pouco a pouco construindo esse arcabouço”, afirmou.

Em relação à atração de investimentos dos países árabes, Mourão disse que o Brasil precisa se apresentar com um parceiro confiável aos detentores de recursos. Neste sentido, o vice-presidente enfatizou que a Câmara Árabe pode atuar como um elemento facilitador, fazendo a ponte e orientando o trabalho dos entes governamentais sobre a melhor maneira de se posicionar frente a eles.

A respeito da criação de uma linha marítima direta entre o Brasil e os países árabes, Mourão se mostrou disponível a ajudar a colocar em prática também. Ele propôs buscar os portos mais interessantes para a chegada de produtos árabes no Brasil e saída de produtos brasileiros para o mercado árabe. Disse ainda que é preciso sair do terreno da conversa e sentar para ver o que é preciso ser feito. Neste sentido, sugeriu que o ministro da Casa Civil, Braga Netto, seja envolvido no assunto.

A Câmara Árabe vem trabalhando em parceria com a União das Câmaras Árabes na formulação de uma estratégia para que a criação de uma linha marítima direta, o que deve encurtar o custo do transporte e o tempo de entrega das mercadorias. Um estudo começou a ser feito na área e um seminário sobre o tema estava previsto para ocorrer neste ano em Alexandria, no Egito.

Amazônia

No encontro, também ficou acertado que a Câmara Árabe começará a trabalhar com o governo para construir uma agenda a ser desenvolvida com os países árabes durante a participação brasileira na reunião de cúpula do G20, em novembro deste ano. O grupo é formado pelas 20 maiores economias do mundo e dele participam Brasil e Arábia Saudita, que está na presidência do grupo. Rubens Hannun explicou que a reunião do G20 seria uma ótima oportunidade para dar continuidade às ações da viagem do presidente Jair Bolsonaro à região no ano passado.

O vice-presidente afirmou que o evento pode ser sim utilizado para estabelecer contatos e relações com os países da Liga Árabe e que essa agenda deve começar a ser construída com o apoio da Câmara Árabe. A ideia é ter na agenda alguns dos assuntos que foram debatidos nesta quarta-feira, para que os entraves no relacionamento comercial e de investimentos sejam resolvidos. “Eu gosto de me pautar pela objetividade”, disse Mourão. Segundo ele, essa é uma oportunidade ímpar para que se avance.

A possibilidade de atração de investimentos de fundos árabes para a Amazônia também foi levantada na conferência virtual pelo vice-presidente de Relações Internacionais, Osmar Chohfi. Mourão preside o Conselho Nacional da Amazônia Legal e se mostrou aberto a investimentos árabes tanto em projetos econômicos, que aproveitem o potencial da região sem causar danos ao meio ambiente, quando ao projeto de manutenção da floresta em pé, voltado ao mercado de carbono.

Mourão conta com o apoio da Câmara Árabe na atração destes investimentos e o presidente da entidade, Rubens Hannun, afirmou que os projetos serão levados ao conhecimento dos fundos soberanos árabes.

Brasil

Já os investimentos de empresas brasileiras nos países árabes foi o assunto apresentado pelo vice-presidente de Marketing, Riad Younes. Os países árabes querem muito a instalação de empresas brasileiras na região e a Câmara Árabe abrirá ainda neste ano um escritório no Cairo, no Egito, e em Riad, na Arábia Saudita. Eles devem ajudar empresas interessadas em se estabelecer nos países árabes, assim como fomentar o fluxo de comércio.

Hannun e Mourão falaram ainda sobre o papel de liderança que o Brasil pode assumir atualmente no cenário global. O vice-presidente acredita que a pandemia vai levar a uma reorganização na geopolítica internacional e que essa pode ser uma oportunidade para o Brasil. Ele enxerga, porém, a necessidade de organização interna para tal e acredita que liderança se constrói com exemplo e com conhecimento.

“Nós temos que resolver o nosso bochicho aqui dentro, parar aqui com a brigalhada que a gente anda atualmente, nos reorganizar, e a partir daí nós teremos efetivamente condições de atrair os nossos amigos da América do Sul e nos apresentarmos para os interlocutores do mundo árabe como, efetivamente, um grupo confiável e capaz de, nesse intercâmbio na busca do benefício mútuo, levarmos ao mundo árabe aquilo que é fundamental para eles, a questão da segurança alimentar, e trazermos de lá os outros produtos que são necessários para que a gente tenha um intercâmbio comercial sempre equilibrado”, defendeu.