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Mundo não reconhece independência da Catalunha

Marcelo Rech, especial de Bruxelas e Madri

A independência ilegal da Catalunha obtida com 70 votos favoráveis no parlamento autonômico, não será reconhecida internacionalmente. As principais potências deixaram claro que seguirão apoiando a Espanha como única interlocutora junto aos organismos internacionais como a União Europeia, a OTAN e as Nações Unidas. O Brasil já havia se manifestado por ocasião do referendo de 1º de outubro em favor da unidade espanhola. Brasília sequer cogita qualquer diálogo com os líderes separatistas.

O governo espanhol também decidiu fechar as representações diplomáticas catalãs abertas na França, Alemanha, Reino Unido, Irlanda, Estados Unidos, Canadá, México, Áustria, Itália, Portugal, Croácia, Polônia, e Dinamarca, e nos organismos internacionais em Genebra, Estrasburgo, Paris e Viena.

Conhecidos como Diplocats, essas “embaixadas” foram criadas com o objetivo de internacionalizar o conflito soberanista catalão. Os delegados indicados por Barcelona para Madri e Bruxelas também foram “demitidos”. Essas iniciativas integram o pacote de medidas inseridas na aplicação do artigo 155 da Constituição aprovada pelo Senado espanhol na tarde desta sexta-feira, 27, logo após a proclamação da República da Catalunha.

É a primeira vez desde 1978 que o artigo 155 é aplicado na Espanha. Ele retira a autonomia da Catalunha, mas não será permanente. Em 55 dias deverão ser realizadas eleições para um novo governo e um novo Parlamento regional. Madri não pretende intervir diretamente na Catalunha.

A extinção do Diplocat, uma entidade público-privada a serviço do Governo Catalão, foi aprovada pelo Conselho de Ministros liderada pelo premier Mariano Rajoy. O presidente do Governo espanhol também contou com o apoio de vários partidos de oposição que rejeitam o separatismo e advogam pela unidade do país.

Repercussão

Enquanto a vida seguia normalmente em Madri, sem qualquer tipo de protesto ou tensão, o mundo reagia à decisão ilegal do Parlamento da Catalunha. A União Europeia manifestou-se por meio dos presidentes da Comissão, do Conselho e do Parlamento. O bloco não reconhece e não reconhecerá a Catalunha. As mensagens foram claras e contundentes.

Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, afirmou que “a União Europeia não necessita mais fissuras”. Juncker tem sido uma das vozes mais duras contra os movimentos separatistas em todo o continente. Segundo ele, “a Catalunha não está oprimida”. Até mesmo a Escócia que realizou o seu referendo independentista, rechaçou o processo catalão.

Em Londres, o assunto já vinha sendo tema de muita discussão há semanas. A primeira-ministra Teresa May que esteve em Bruxelas para pedir mais prazo às negociações do Brexit, destacou que não haverá reconhecimento britânico a este processo.

Em Washington, a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, afirmou que “a Catalunha é parte integral da Espanha, e os Estados Unidos apóia as medidas constitucionais do Governo espanhol para manter a Espanha forte e unida”.

Chama a atenção, no entanto, o silêncio de Moscou. Em Madri, diversos interlocutores da chancelaria espanhola afirmaram que a Catalunha recebeu apoio do governo russo para quem o esfacelamento europeu é algo positivo. Nesta semana, um alto funcionário do governo da Ossétia do Sul, região que obteve sua independência da Geórgia com apoio russo, esteve em Barcelona onde se entrevistou com líderes separatistas.

Enquanto isso, na América Latina, a única voz a favor da Catalunha veio de Nicolás Maduro, para quem “Mariano Rajoy é um ditador. Resiste Catalunha. América Latina te admira”, afirmou.

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