Brasília, 21 de julho de 2019 - 21h33
Na Venezuela a China quer é preservar ativos e investimentos

Na Venezuela a China quer é preservar ativos e investimentos

14 de fevereiro de 2019 - 09:34:52
Compartilhar notícia:

Marcelo Rech

Nesta quarta-feira, 13, Hua Chunying, porta-voz do ministério das Relações Exteriores da China, desmentiu as notícias de que Pequim estaria negociando com a oposição venezuelana já prevendo a queda de Nicolás Maduro. Apesar da negativa, o gigante asiático tem conversado sim com líderes oposicionistas com o objetivo de proteger seus ativos e investimentos na Venezuela.

A China já não é exatamente um obstáculo para a derrubada do regime chavista. Pragmático, o país trata de construir pontes com aqueles que em alguns meses poderão estar à frente do país. Maduro tem sido um aliado importante, mas se o seu tempo chegar, paciência.

O mesmo ocorreu com Dilma Rousseff e o PT no Brasil. Em 2016, a China preferiu não se pronunciar acerca do processo de impeachment. A esquerda apostou que, empossado, Michel Temer não teria o reconhecimento chinês. Apostou errado! A China não apenas reconheceu Temer como tirou proveito do seu governo e fez avançar ainda mais a sua presença no Brasil.

Mesmo após declarações duras do então candidato Jair Bolsonaro, que acusou a China de estar comprando o Brasil, Pequim se aproximou. Eleito presidente, o embaixador da China foi um dos primeiros em visitar Bolsonaro para mostrar que no mundo atual, não há lugar para mimimi. Vamos fazer negócios. A China quer e o Brasil precisa.

No caso venezuelano, Pequim sabe que não pode brincar com fogo, principalmente quando os Estados Unidos se mostram dispostos a pôr fim na brincadeira. Além de mais de uma dezena de projetos petroleiros, a China pretende receber os mais de US$ 50 bilhões emprestados à Venezuela. Algo que, com Maduro, se mostra praticamente impossível.

Já o presidente encarregado, Juan Guaidó, necessita o apoio chinês, caso contrário não haverá mudanças na Venezuela. Ele precisa sinalizar que Pequim não irá perder o que já aplicou. Sem garantias, Pequim continuará mantendo os aparelhos que mantém Maduro vivo, ligados.

Além disso, Guaidó precisará de tempo para discutir como pagar a dívida com a China. Para Pequim, isso somente será possível se o setor petroleiro venezuelano for recuperado e se tornar atraente.

Por outro lado, não podemos perder de vista que a queda de Maduro implicará uma nova realidade para a Venezuela. De acordo com o andar da carruagem, o país já não terá como manter a “exclusividade” do seu potencial energético para China e Rússia. Novos atores terão de ser inseridos no contexto. Isso pode ser bom – a Venezuela precisa de investimentos para modernizar o setor petroleiro -, mas pode ser ruim também com muita gente querendo a mesma coisa e todos com a fatura na mão!

Marcelo Rech, 48, é jornalista e editor do InfoRel. E-mail: inforel@inforel.org.